segunda-feira, 11 de março de 2013

Iroko




Dia da Semana: Terça-feira.

Cores: Branco, Verde,Amarelo,Marron  (ou Cinza)castanho)

Símbolo: tronco

Domínios: Ancestralidade

Saudação: Iroko Issó! Eró!Iroko Kissilé.

Iroko é um Orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo. Iroko é o comandante de todas as árvores sagradas, o vanguardeiro, os demais Osa Iggi devem-lhe obediência porque só ele é Iggi Olórun, a árvore do Senhor do Céu.

Iroko, Iroco ou Roko (do iorubá Íròkò) é um orixá cultuado no candomblé do Brasil pela nação Ketu e, como Loko, pela nação Jeje. Corresponde ao Inquice Tempo na nação Angola ou Congo.

Em todas as reuniões dos Orixás está sempre presente Iroko, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam directamente na sua acção eterna. É um Orixá pouco conhecido dos seres vivos ou mortos, nascidos ou por nascer. Toda a criação está nos seus desígnios.
É o Orixá Iroko, implacável e inexorável, que governa o Tempo e o Espaço, que acompanha, e cobra, o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo.

Conhecido e respeitado na Mesopotâmia e Babilónia como Enki, o Leão Alado, que acompanha todos os seres do nascimento ao infinito; cultuado no Egipto como Anúbis, o deus Chacal que determina a caminhada infinita dos seres desde o nascimento até atravessar o Vale da Morte. Também venerado como Teotihacan entre os Incas e Viracocha entre os Maias como o Senhor do Início e do Fim; também presente no Panteão Grego e Romano, onde era conhecido e respeitado como Cronus, o Senhor do Tempo e do Espaço, que abriga e conduz a todos inexoravelmente ao caminho da Eternidade.

É o Tempo também das mudanças climáticas, as variações do tempo-clima. Guardião das florestas centenárias é o colectivo das árvores grandiosas, guardião da ancestralidade.

Em África, a sua morada é a árvore iroko, Milicia excelsa (antes classificada como Chlorophora excelsa), chamada “amoreira africana” na África de língua portuguesa. É uma árvore majestosa, encontrada da Serra Leoa à Tanzânia, que atinge 45 metros de altura e até 2,7 metros de diâmetro.

No Brasil, onde essa árvore não existe, diz-se que Iroko habita a gameleira branca, Ficus gomelleira ou Ficus doliaria (também chamada figueira-branca, guapoí, ibapoí, figueira-brava e gameleira-branca-de-purga). Nos terreiros, costuma-se manter uma dessas árvores como morada de Iroko, assinalada por um “ojá” (laço de pano branco) ao seu redor.

Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, etc., representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás.
Desrespeitar Iroko (a grande e suntuosa árvore) é o mesmo que desrespeitar a sua dinastia, os seus avós, o seu sangue… Iroko representa a história do Ilê (casa), assim como do seu povo… protegendo-o sempre das tempestades.

Ao contrário da maioria dos orixás, este não costuma “baixar” nas festas de santo. É reverenciado por meio de oferendas à árvore que o representa. Os animais a ele consagrados são a tartaruga e o papagaio.

Iroko é um Orixá pouco cultuado tanto no Brasil como em Portugal, e os seus filhos também são muito raros. Os seus filhos, no entanto, são sempre muito protegidos pelo seu Orixá.

Características dos filhos de Iroko

Os filhos de Iroko são tidos como eloquentes, ciumentos, camaradas, inteligentes, competentes, teimosos, turrões e generosos.

Gostam de diversão: dançar e cozinhar; comer e beber bem.

Apaixonam-se com facilidade e gostam de liderar.

Dotados de senso de justiça, são amigos queridos, mas também podem ser inimigos terríveis, no entanto, reconciliam-se facilmente.

Um defeito grande, é o facto de não conseguirem guardar segredos.

Iroko Kisselé; Eró Iroko issó, eró!





Irôko tem um temperamento estável, de caráter firme e em alguns casos violento.

Na Nigéria, Irôko é cultuado numa árvore que tem o mesmo nome. Porém, no Brasil esta árvore foi substituída pela gameleira-branca que apresenta as mesmas características da árvore usada na África. É nesta árvore, a gameleira-branca, que fica acentuado o caráter reto e firme do orixá pois suas raízes são fortes, firmes e profundas.

Irôko foi associado ao vodun daomeano Loko dos negros de dinastia Jeje e ainda ao inkice Tempo, dos negros bantos.

Irôko, na verdade, é o orixá dos bosques nigerianos, onde lá na Nigéria é muito temido, porque como conta um itan, ninguém se atrevia a entrar num bosque sem antes reverenciá-lo. No Brasil, é nos pés da gameleira-branca que fica seu assentamento e também é ali que são oferecidas suas oferendas.

Sua cor é o branco e ainda usa palha da costa em sua vestimenta. Sua comida é o ajabó, o caruru, feijão fradinho, o deburu, o acaçá, o ebô e outras.

Em geral na frente das grandes casas de Candomblé, principalmente em Salvador, existe uma grande árvore com raízes que saem do chão, e são envoltas com um grande Alá (pano branco), este é Iroko, que é tido com árvore guardiã da casa de Candomblé pois ter esta árvore plantada no terreno da casa de Candomblé representa força e poder..

Este orixá é conhecido na angola como Maianga ou Maiongá.

Características



Folhas

Fruta Pão  (gberebúùtù)
Colônia  (tọ́tọ́)
Crista de Galo  (àgógo igún)
Erva Prata  (ewé dìgì)
Folha da Costa  (ọ̀dúndún)
Gameleira  (ìrókò)
Gameleira Branca  (ìrókò)
Mãe Boa  (ìyábeyín)
Pau Conta  (apà-ìgbó)
Cajueiro  (kajú)
Jaqueira  (àpaòká)
Mangueira  (òro òyìnbó)
Crista de Galo  (ẹ̀fọ́ odo)
Lendas

Iroko castiga a Mãe que não lhe dá o Filho Prometido

No começo dos tempos, a primeira árvore plantada foi Irôco, mais antiga que o mogno, o pé de obi e o algodoeiro. Na mais velha das árvores de Irôco, morava seu espírito. E o espírito de Irôco era capaz de muitas mágicas e magias. Irôco assombrava todo mundo, assim se divertia. À noite saia com uma tocha na mão, assustando os caçadores. Quando não tinha o que fazer, brincava com as pedras que guardava nos ocos de seu tronco. Fazia muitas mágicas, para o bem e para o mal. Todos temiam Irôco e seus poderes e quem o olhasse de frente enlouquecia até a morte.

Numa certa época, nenhuma das mulheres da aldeia engravidava. Já não havia crianças pequenas no povoado e todos estavam desesperados. Foi então que as mulheres tiveram a idéia de recorrer aos mágicos poderes de Irôco. Juntaram-se em círculo ao redor da árvore sagrada, tendo o cuidado de manter as costas voltadas para o tronco. Não ousavam olhar para a grande planta face a face. Suplicaram a Irôco, pediram a ele que lhes desse filhos. Ele quis logo saber o que teria em troca. As mulheres eram, em sua maioria, esposas de lavradores e prometeram a Iroko milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros. Cada uma prometia o que o marido tinha para dar. Uma das suplicantes, chamada Olurombi, era a mulher do entalhador e seu marido não tinha nada daquilo para oferecer. Olurombi não sabia o que fazer e, no desespero, prometeu dar a Irôco o primeiro filho que tivesse.

Nove meses depois a aldeia alegrou-se com o choro de muitos recém-nascidos. As jovens mães, felizes e gratas, foram levar a Irôco suas prendas. Em torno do tronco de Irôco depositaram suas oferendas. Assim Irôco recebeu milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros. Olurombi contou toda a história ao marido, mas não pôde cumprir sua promessa. Ela e o marido apegaram-se demais ao menino prometido. No dia da oferenda, Olurombi ficou de longe, segurando nos braços trêmulos, temerosa, o filhinho tão querido. E o tempo passou. Olurombi mantinha a criança longe da árvore e, assim, o menino crescia forte e sadio. Mas um belo dia, passava Olurombi pelas imediações do Irôco, entretida que estava, vindo do mercado, quando, no meio da estrada, bem na sua frente, saltou o temível espírito da árvore. Disse Irôco: "Tu me prometeste o menino e não cumpriste a palavra dada. Transformo-te então num pássaro, para que vivas sempre aprisionada em minha copa." E transformou Olurombi num pássaro e ele voou para a copa de Irôco para ali viver para sempre.

Olurombi nunca voltou para casa, e o entalhador a procurou, em vão, por toda parte. Ele mantinha o menino em casa, longe de todos. Todos os que passavam perto da árvore ouviam um pássaro que cantava, dizendo o nome de cada oferenda feita a Irôco. Até que um dia, quando o artesão passava perto dali, ele próprio escutou o tal pássaro, que cantava assim: "Uma prometeu milho e deu o milho; Outra prometeu inhame e trouxe inhames; Uma prometeu frutas e entregou as frutas; Outra deu o cabrito e outra, o carneiro, sempre conforme a promessa que foi feita. Só quem prometeu a criança não cumpriu o prometido."

Ouvindo o relato de uma história que julgava esquecida, o marido de Olurombi entendeu tudo imediatamente. Sim, só podia ser Olurombi, enfeitiçada por Irôco. Ele tinha que salvar sua mulher! Mas como, se amava tanto seu pequeno filho? Ele pensou e pensou e teve uma grande idéia. Foi à floresta, escolheu o mais belo lenho de Irôco, levou-o para casa e começou a entalhar. Da madeira entalhada fez uma cópia do rebento, o mais perfeito boneco que jamais havia esculpido.

O fez com os doces traços do filho, sempre alegre, sempre sorridente. Depois poliu e pintou o boneco com esmero, preparando-o com a água perfumada das ervas sagradas. Vestiu a figura de pau com as melhores roupas do menino e a enfeitou com ricas jóias de família e raros adornos. Quando pronto, ele levou o menino de pau a Irôco e o depositou aos pés da árvore sagrada. Irôco gostou muito do presente. Era o menino que ele tanto esperava! E o menino sorria sempre, sua expressão, de alegria.

Irôco apreciou sobremaneira o fato de que ele jamais se assustava quando seus olhos se cruzavam. Não fugia dele como os demais mortais, não gritava de pavor e nem lhe dava as costas, com medo de o olhar de frente. Irôco estava feliz. Embalando a criança, seu pequeno menino de pau, batia ritmadamente com os pés no solo e cantava animadamente. Tendo sido paga, enfim, a antiga promessa, Irôco devolveu a Olurombi a forma de mulher. Aliviada e feliz, ela voltou para casa, voltou para o marido artesão e para o filho, já crescido e enfim libertado da promessa. Alguns dias depois, os três levaram para Irôco muitas oferendas. Levaram ebós de milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros, laços de tecido de estampas coloridas para adornar o tronco da árvore. Eram presentes oferecidos por todos os membros da aldeia, felizes e contentes com o retorno de Olurombi. Até hoje todos levam oferendas a Irôco. Porque Irôco dá o que as pessoas pedem. E todos dão para Irôco o prometido.

Iroko ajuda a feiticeira a vingar o filho morto

Irôco era um homem bonito e forte e tinha duas irmãs. Uma delas era Ajẹ́, a feiticeira, a outra era Ogboí, que era uma mulher normal. Irôco e suas irmãs vieram juntos do Òrun para habitar no Aiê. Irôco foi morar numa frondosa árvore e suas irmãs em casas comuns. Ogboí teve dez filhos e Ajẹ́ teve só um, um passarinho.

Um dia, quando Ogboí teve que se ausentar, deixou os dez filhos sob a guarda de Ajẹ́. Ela cuidou bem das crianças até a volta da irmã. Mais tarde, quando Ajẹ́ teve também que viajar, deixou o filho pássaro com Ogboí. Foi então que os filhos de Ogbói pediram à mãe que queriam comer um passarinho. Ela lhes ofereceu uma galinha, mas eles, de olhos no primo, recusaram. Gritavam de fome, queriam comer, mas tinha que ser um pássaro. A mãe foi então foi a floresta caçar passarinhos, que seus filhos insistiam em comer. Na ausência da mãe, os filhos de Ogboí mataram, cozinharam e comeram o filho de Ajẹ́. Quando Ajẹ́ voltou e se deu por conta da tragédia, partiu desesperada a procura de Irôco. Irôco a recebeu em sua árvore, onde mora até hoje. E de lá, Irôco vingou Ajẹ́, lançando golpes sobre os filhos de Ogboí. Desesperada com a perda de metade de seus filhos e para evitar a morte dos demais, Ogoí ofereceu sacrifícios para o irmão Irôco. Deu-lhe um cabrito e outras coisas e mais um cabrito para Èṣù. Irôco aceitou o sacrifício e poupou os demais filhos.

Irôco engole a devota que não cumpre a interdição sexual

Era uma vez uma mulher sem filhos, que ansiava desesperadamente por um herdeiro. Ela foi consultar o babalaô e o babalaô lhe disse como proceder: Ela deveria ir à árvore de Irôco e a oferecer um sacrifício, comidas e bebidas. Com panos vistosos ela fez laços e enfeitou o pé de Irôco. Aos seus pés depositou o seu ebó. Fez tudo como mandarao adivinho, mas de importante preceito ela se esqueceu. Ela deu tudo a Irôco, ou, quase tudo. Ela esqueceu que o babalaô mandara que nós três dias antes do ebó ela deixasse de ter relações sexuais. Só então, assim, com o corpo limpo, deveria entregar o ebó aos pés da árvore sagrada.

Irôco irritou-se com a ofensa, abriu uma grande boca em seu grosso tronco e engoliu quase totalmente a mulher, deixando de fora só os ombros e a cabeça. A mulher gritava feito louca por ajuda e toda a aldeia correu para o velho Irôco. Todos assistiam o desespero da mulher. O babalaô foi também até a árvore e fez seu jogo, e o jogo revelou sua ofensa, sua oferta com o corpo sujo. Mas a mulher estava arrependida e a grande árvore deixou que ela fosse libertada. Toda a aldeia ali reunida regozijou-se pela mulher. Todos cantaram e dançaram de alegria. Todos deram vivas a Irôco. Tempos depois a mulher percebeu que estava grávida e preparou novos laços de vistosos panos e enfeitou agradecida a planta imensa. Tudo ofereceu-lhe do melhor, antes resguardando-se para ter o corpo limpo. Quando nasceu o filho tão esperado, ela foi ao babalaô e ele leu o futuro da criança: deveria ser iniciada para Irôco. Assim foi feito e Irôco teve muitos devotos. E seu tronco está sempre enfeitado e aos seus pés não lhe faltam oferendas.

Égbé ilé Oósààlá Afayiá em Festa Odu Merinlá do Babalorixá Alexandre ti òsálá

        







































           Essa é a família Asé afayiá,



Òṣàlà




Òrìṣanlà, Órìṣà òkè nínú wọn gbogbo Órìṣà

Òrìxanlá, O mais alto orixá entre todos os orixás

Orixá masculino de origem iorubá(nagô) bastante cultuado no Brasil, onde costuma ser considerado a divindade mais importante do panteão africano. Na África é cultuado com o nome de Ọbàtálá. Quando, porém, os negros vieram para cá, como mão de obra escrava na agricultura, trouzeram consigo, alêm do nome do orixá, uma outra forma de a ele se referirem, Orixalá, que significa orixá dos orixás. Numa versão contraída, o nome que acabou se popularizando é Òṣàlà

Esta relação de importância advêm de a organização de divindades africanas ser uma maneira simbólica de se codificar as regras do comportamento. Nos preceitos, estão todas as matrizes básicas da organização familiar e tribal, das atítudes possíveis, dos diversos caminhos para uma mesma questão. Para um mesmo problema, orixás diferentes propõem respostas diferentes - e raramente há um acordo social no sentido de estabelecer uma das saídas como a correta e a outra não. A "jurisprudência" africana nesse sentido prefere conviver com os opostos, estabelecendo, no máximo, que, perante um impasse, "Ogum faz isso, Iansã faz aquilo", por exemplo.

Assim, Òṣàlà não tem mais poderes que os outros nem é hierarquicamente a eles superior, mas merece o respeito de todos por representar o patriarca, o chefe da família. Cada membro da família tem suas funções e o direito de se inter-relacionar de igual para igual com todos os outros membros, o que as lendas dos orixás confirmam através da independência que cada um mantém em relação aos outros. Òṣàlà, porêm, é o que traz consigo a memória de outros tempos, as soluções já encontradas no passado para casos semelhantes, merecendo, portanto, o respeito de todos numa sociedade que cultuava ativamente seus ancestrais. Ele representa o conhecimento empírico, neste caso colocado acima do conhecimento especializado que cada orixá pode representar: Ossaim, a liturgia; Ọ̀ṣọ́ọ̀si, a caça; Ogum, a metalúrgia; Ọ̀ṣun, a maternidade; Yemanjá, a educação; Omolu, a medicina - e assim por diante.

Se, por este lado, Òṣàlà merece mais destaque, o considerá-lo superior aos outros (o que não está implicito como poder, mas sim merecimento de respeito no título de Orixalá) veio da colonização européia. Os jesuitas tentavam introduzir os negros nos cultos católicos, passo considerado decisivo para os mentores e ideólogos que tentavam adaptá-los à sociedade ondem eram obrigados a viver, baseadas em códigos a eles completamente estranhos. A repressão pura e simples era muito eficiente nestes casos, mas não bastava. Eram constantes as revoltas, os negros tinham baixa produtividade, porque trabalhavam obrigados, não ganhavam nada de significativo com a dedicação a um trabalho que não queriam, para o qual não eram consultados nem tinham o mínimo direito de escolha. Uma maneira, então, para se conseguir maior colaboração por parte deles seria explicar a eles que possuíam uma missão determinada pelos deuses, que a escravidão era sancionada pelas forças superiores do sobrenatural. Como porém, o sobrenatural dos escravos era outro que o dos brancos, havia de se convencer os negros a compartilharem do mesmo sobrenatural - evidentemente, o do senhor, e não o do escravo.

Havia, é verdade, jesuítas sinceramente crentes em seu trabalho, que não tinham consciência do papel ideológico que desempenhavam na manutenção de um modo de produção nada cristão. Julgavam ser sua missão "esclarecer" os "povos primitivos" da "verdadeira fé" - a postura é arrogante, mas não para quem nela efetivamente crê.

De qualquer forma, era sua missão catequizar os escravos. Como, porêm, encontravam neles práticas religiosas muito arraigadas, que eram comparativamente falando mais decisivas ainda nas escolhas pessoais e na vida do dia-a-dia do que a influência do catolicismo no comportamento dos brancos, era difícil lutar. Em alguns casos, perceberam que o sincretismo era a melhor saida, e tentaram convencer os negros que seus orixás também tinham espaço na cultura branca, que as entidades eram praticamente as mesmas, apenas com outros nomes.

Alguns escravos neles acreditaram. Outros se aproveitaram da quase obrigatoriedade da prática dos cultos católicos, para, ao realiza-los, efetivarem verdadeiros cultos de candomblé, apenas mascarados pela religião oficial do colonizador. Fosse sincera ou fosse esperta essa adesão, o sincretismo acabou acontecendo, em maior ou menor escala e a necessidade de hierarquização que os católicos tinham, nada preparados para a visão democrática do panteão africano. foi infiltrando-se, criando, a parte daí, a expectativa de se considerar Òṣàlà uma figura superior às demais - já que era sincretizado com Jesus Cristo, em geral. Esclrecida esta questão, não negamos as funções únicas e importantíssimas de Òṣàlà perante a mitologia iorubá. É o principio gerador em potencial, o responsável pela existência de todos os seres do céu e da terra. É o que permite a concepção no sentido masculino do termo. Sua cor é o branco porque ele é a soma de todas as cores. Ao mesmo tempo, o branco é a cor do esperma, a participação masculina na geração de um ser.

Caracteristicas

Animais Pomba Branca, Caramujo, coruja branca
Bebida Água mineral, ou vinho branco doce ou vinho tinto doce.
Comidas Canjica, Acaçá, Mungunzá.
Ebó
Papa de Canjica
Cor Branco
Data Comemorativa 25 de Dezembro
Dia da Semana Sexta-Feira.
Elemento Ar
Essências Aloés, almíscar, lírio, benjoim, flores do campo, flores de laranjeira.
Fio Contas e Missangas brancas e leitosas. Firmas Brancas.
Flores Lírios brancos e todas as flores que sejam dessa cor, as rosas de preferência sem espinhos.
Incompatibilidades Vinho de palma, dendê, carvão, roupa escura, cor vermelha, cachaça, bichos escuros.
Instrumento Opaxorô
Metal Prata (Em algumas casas: platina, ouro branco).
Numero 10 (Oxalufã), 8 (Oxaguiã).
Pedras Diamante, cristal de rocha, perolas brancas.
Planeta Sol.
Pontos da Natureza Praias desertas, colinas descampadas, campos, montanhas, etc...
Saudação Epa Babá
Saúde Não tem área de saúde específica, pois abrange todo nosso corpo e nosso espírito.
Símbolo Estrela de 5 pontas. (Em algumas casas, a Cruz)
Sincretismo Jesus
Toque Ìgbín


Folhas


Araçazeiro  (gúrọ́fà)
Coco  (àgbọn)
Fruta Pão  (gberebúùtù)
Mamão  (síbó)
Pêra
Tâmara  (èso ọ̀pẹ dídùn kan)
Tamarineiro (ajàgbọn)
Uva Branca  (àjara funfun)
Cara moela  (akan)
Macaxeira  (gbàgùúdá)
Mandioca  (ọgẹgẹ)
Agapanto
Agapanto Branco
Agrião do Pará  (awere pẹ́pẹ́)
Alecrim  (ewẹ́rẹ́)
Alecrim da Serra
Alecrim de Caboclo
Alecrim de Tabuleiro
Alecrim do Campo
Alfavaca  (efínrin nla)
Angélica
Aperta Ruão  (ìyèyé)
Baunilha verdadeira
Bétis Branco  (ewé boyí funfun)
Bétis Cheiroso  (ewé boyí)
Bétis Cheiroso  (ewé boyí)
Bisnagueira (igi orórù)
Boldo  (ewé bàbá)
Calistemo
Camélia
Camomila
Campainha
Cana de Macaco  (tẹ̀tẹ̀ ẹ̀gún)
Carnaúba
Caruru  (ewé tẹ̀tẹ̀)
Catinga de Mulata  (makasá)
Chapéu de Couro  (ewé ṣẹ́ṣẹ́rẹ́)
Cinco Folhas
Cipó Cravo
Colônia  (tọ́tọ́)
Cravo da Índia
Dama da Noite  (àlùkerẹsẹ)
Dendezeiro  (ọ̀pẹ)
Douradinha  (ewé epo)
Erva de Bicho  (eró igbin)
Erva de Jaboti  (rínrín)
Erva Prata  (ewé dìgì)
Erva Vintém (ewé okọ́wọ̀)
Espinheira Santa
Eucalipto Cidra
Fava de Tonca
Fava Pichuri
Folha da Costa  (ọ̀dúndún)
Folha da Fortuna  (àbámodá)
Funcho
Girassol
Guaco  (ójẹ́ dúdú)
Guandu  (òtilí)
Guanxima (àtòrì)
Hortelã da horta
Jasmim do Cabo
Laranjeira  (òrombó)
Língua de Vaca  (ewé enu malú)
Lírio do Brejo  (balabá)
Malva  (iso-obo)
Malva Cheirosa  (ewé pupa yo)
Malva do Campo  (asíkutá)
Mamona  (lárà)
Mamona Branca  (ewé lárà funfun)
Manjericão da Folha Miúda  (efínrín kékeré)
Manjericão de Folha Larga  (efínrín ata)
Mastruço
Mil em Rama
Milho Branco  (àgbàdo funfun)
Murta
Nenúfar Branco  (òṣibàtà)
Noz moscada  (ariwò)
Obí  (obí)
Obí  (àbidun)
Obí  (obí gbanja)
Obí  (obí edun)
Palmeira Abânico  (àgbọ̀n ẹyẹ)
Parietária  (ewé monan)
Sálvia  (ikiriwí)
Sangue de Cristo
Tabaco  (ewé tábà)
Trombeteira  (dàgìrì dobo)
Umbu
Espirradeira Branca
Algodoeiro  (igi òwú)
Algodoeiro Americano  (ela òwú)
Algodoeiro Arbóreo  (òwú ẹlẹ́pà)
Amendoeira  (igi furuntu)
Coqueiro (àgbọn)
Estoraque Brasileiro
Karitê  (Òrí)
Mamão  (ìbẹ́pẹ)
Rosa Branca
Umbanda

A figura de Òṣàlà, no Umbanda, assumiu importância primacial num paralelismo com a figura de Jesus Cristo, no seio do Catolicismo.

Na identificação de Òṣàlà com o "Filho", segunda pessoa da Santíssima Trindade, fato aceito pela religião de Umbanda, observa-se que, ao culto externo, à veneração e ao conhecimento das divinas qualificações de Jesus, se soma toda uma série de observâncias, preceitos, ritos remanescentes da tradição religiosa africana e, com toda a religiosidade, praticados pelos umbandistas de todos os matizes, com pequenas diferenciações, decorrentes de influências regionalistas ou da maior ou menor parcela do afro na cultuação.

A imagem de Òṣàlà (Jesus Cristo) é figura obrigatoriamente em lugar de honra em todos os Centros, Terreiros ou Tendas de Umbanda, em local elevado, geralmente destacado com iluminação intencionalmente preparada, de modo a conformar uma espécie de aura de luz difusa à sua volta. Homenageia-se Òṣàlà na representação daquele que foi o "filho dileto de Deus entre os homens"; entretanto, permanece, no íntimo desse sincretismo, a herança da tradição africana: "Jesus foi um enviado; foi carne, nasceu, viveu e morreu entre os homens"; Òṣàlà coexistiu com a formação do mundo; Òṣàlà já era antes que Jesus o fosse.

Jesus Cristo é um Trono da Fé de nível intermediário dentro da hierarquia de Òṣàlà. E o mesmo acontece com Buda e outras divindades manifestadoras da fé, pois muitos Tronos Intermediários já se humanizaram para falar aos homens como homens e, assim, melhor estimularem a fé em Deus.

Òṣàlà, assim como Jesus, proporciona aos filhos a melhor forma de praticar a caridade, isto é, dando com a direita para com a esquerda receberem na eternidade e assim poderem trilhar o caminho da luz que os conduzirá ao seu Divino Mestre. Òṣàlà é o Trono Natural da Fé e seu campo de atuação preferencial é a religiosidade dos seres, aos quais ele envia o tempo todo suas vibrações estimuladoras da fé individual e suas irradiações geradoras de sentimentos de religiosidade. Òṣàlà é sinônimo de fé que, assentado na Coroa Divina, irradia a fé em todos os sentidos e a todos os seres.

A Linha de Òṣàlà é a Linha Súplice, suprema condutora, porque nela se baseiam todas as outras linhas.

Òṣàlà, nome cabalístico formado através dos séculos, que teve do feixe de correntes formadoras da Grande Corrente Universal a força máxima, na qual os homens se suprem para se lançarem, através dos seus Guias, em busca da magna força.

"A Corrente Universal divide-se em vários setores, cabendo cada um destes setores a um Chefe, que trabalha nesta mesma corrente, tirando dela a força e a luz para conduzi-lo ao ponto que lhe é necessário para seus trabalhos espirituais; e sendo Òṣàlà o Supremo Chefe da Umbanda, a ele pertence um desses setores, buscando, na Corrente Universal, suprimento para as suas falanges".

As atribuições de Òṣàlà são as de não deixar um só ser sem o amparo religioso dos mistérios da Fé. Mas nem sempre o ser absorve suas irradiações quando está com a mente voltada para o materialismo desenfreado dos espíritos encarnados.

É uma pena que seja assim, porque os próprios seres se afastam da luminosa e cristalina irradiação do divino Òṣàlà...

O filho de Òṣàlà é pessoa normalmente tranqüila, de andar sereno, sem afobação, com tendência ao sofrimento, quando o busca. Gosta de transmitir seu gênio calmo, quer as coisas sem demonstrar, atingindo seus objetivos de forma bem natural. É teimoso. Na teimosia não gosta de impor suas idéias, mas não cede em seu ponto de vista. De todos os Orixás, o filho de Òṣàlà talvez seja o mais organizado, no dia a dia, escritórios e papéis.

Não é líder, mas não se submete facilmente a liderança de outro, ou seja, não manda e não gosta de ser mandado. Não é agressivo e quando agredido prefere demonstrar superioridade. Tem uma tendência muito forte para a solidão, buscando no isolamento um encontro com a harmonia universal.

Os guias principais desta linha são: Caboclo Urubatão de Guia, Caboclo Ubirajara, Caboclo Aymoré, Caboclo Guaracy, Caboclo Guarany e Caboclo Tupy. Estes guias são os chefes de falanges, mais existem os demais guias que pertencem a esta linha e trabalham na caridade, são eles: Caboclo Pena Branca, Caboclo Águia Branca, Caboclo Tupã, Caboclo Rompe Nuvem, Caboclo Tamoio, Caboclo Gira Sol e outros. O astro que rege esta linha é o Sol e tem como guardião o anjo Gabriel.

Sincretismos                                                                                                                                              


Características dos Filhos de Òṣàlà

Os filhos de Òṣàlà, são pessoas tranqüilas, com tendência à calma, até nos momentos mais difíceis; conseguem o respeito mesmo sem que se esforcem objetivamente para obtê-lo. São amáveis e pensativos, mas nunca de maneira subserviente. Às vezes chegam a ser autoritários, mas isso acontece com os que têm Orixás guerreiros ou autoritários como adjutores (ajuntós).

São muito dedicados, caprichosos, mantendo tudo sempre bonito, limpo, com beleza e carinho. Respeitam a todos mas exigem ser respeitados.

Sabem argumentar bem, tendo uma queda para trabalhos que impliquem em organização. Gostam de centralizar tudo em torno de si mesmos. São reservados, mas raramente orgulhosos.

Seu defeito mais comum é a teimosia, principalmente quando têm certeza de suas convicções; será difícil convencê-los de que estão errados ou que existem outros caminhos para a resolução de um problema.

No Òṣàlà mais velho (Oṣàlúfọ́n) a tendência se traduz em ranzinzice e intolerância, enquanto no Òṣàlà novo (OXAGUIÃ) tem um certo furor pelo debate e pela argumentação.

Para Òṣàlà, a idéia e o verbo são sempre mais importantes que a ação, não sendo raro encontrá-los em carreiras onde a linguagem (escrita ou falada) seja o ponto fundamental.

Fisicamente, os filhos de Òṣàlà tendem a apresentar um porte majestoso ou no mínimo digno, principalmente na maneira de andar e não na constituição física; não é alto e magro como o filho de Ogum nem tão compacto e forte como os filhos de Xangô. Às vezes, porém, essa maneira de caminhar e se postar dá lugar a alguém com tendência a ficar curvado, como se o peso de toda uma longa vida caísse sobre seus ombros, mesmo em se tratando de alguém muito jovem.

Para que o filho de Òṣàlà tenha uma vida melhor, deve procurar despertar em seu interior a alegria pelas coisas que o cerca e tentar ceder à sua natural teimosia.

Qualidades

Òṣàlà Ajagemo: Para o qual durante a sua festa anual em Edé, dança-se e representa-se com mímicas, um combate entre ele e Oluniwi, no qual este último sai vencedor.
Òṣàlà Ajalá - O Oleiro primordial. A parte de Òṣàlà responsável pela criação física dos homens, por seu corpo, sua cabeça (onde vive Ori). Ele representa o aspecto mais orgânico do ser humano; o tipo de barro, de maior ou menor qualidade, mais ou menos cozido (o que implica maior ou menor numero de problemas), mais claro ou escuro. Ajalá mistura ao barro folhas, frutas, minérios, sangues e uma série de materiais que determinam como será aquela pessoa, como Ori poderá agir nela. Estes ingredientes, com o tempo perdem o axé (energia) e precisam ser, de vez em quando, repostos, o que é feito nos rituais do candomblé, entre eles a iniciação. Diz um dos mitos que Ajalá foi incumbido de moldar as cabeças dos homens com a lama do fundo dos rios e outros elementos da natureza. Ele moldava as cabeças e as punha para assar em seu forno. Ajalá tinha, contudo, o hábito de embriagar-se enquanto cozia o barro e criou muitas cabeças defeituosas, queimando algumas e deixando outras com o barro cru. A causa dos problemas que muitas pessoas apresentam antes de serem iniciadas viria exatamente de um ori cru, ou queimado, ou mal proporcionado feito durante alguma bebedeira de Ajalá. Como os orixás não gostam de cabeças ruins, a pessoa ficaria desprotegida, sem a energia do orixá. Depois que Ajalá terminava de fazer os oris (cabeças) Ọbàtálá soprava nelas e lhes dava eni, a vida.
Òṣàlà Akire ou Ikire: É um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo e mudo a quem o negligencia.
Òṣàlà Alase ou Olúorogbo: Salvou o mundo fazendo chover num período de seca.
Òṣàlà Etéko: Caminha com Oxaguiã, é inquieto. Vive nas matas e come todo o tipo de carne branca.
Òṣàlà Eteto Obá Dugbe: Outro guerreiro, ligado a Orixalá.
Òṣàlà Lejugbe: é muito confundido com Oxalufan; por ser vagaroso e indeciso. Muito chegado a Ayrá. Come com Yemanjá e Oxalufan. Come também todo tipo de carne branca.
Òṣàlà Ọbàtálá: É o mais velho dos orixás. O grande rei branco; raiz de todos os outros Òṣàlàs. Ele não é feito, faz-se Ayrá ou Ọ̀ṣun Opara. É o pai de Oxalufan que por sua vez é o pai de Oxaguiã. Por ser muito grande e poderoso, Ọbàtálá não se manifesta, sua palavra transforma-se imediatamente em realidade. Representa a massa, o ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação dos novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos.
Òṣàlà Okó: Divindade da agricultura e colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra. Orixá Nagô, pouco conhecido no Brasil. Na época da chegada dos escravos, não deram muita importância a este orixá, considerando como orixá da agricultura, em seu lugar Ogum e dos grãos Obaluaiyê. Quando se manifesta leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade. É confundido com Òṣàlà, pois veste-se de branco. Seu Opaxoró, no Brasil, é confeccionado em madeira. Sendo um Orixá raro, tem poucas qualidades conhecidas. É um Orixá rico.
Òṣàlà Olofon Ajigúna Koari: Aquele que grita quando acorda (conhecido pelo nome de Oxalufan).
Òṣàlà Òriṣànlá, Orixalá ou Ọbàtálá:É casado com Yemanjá, suas imagens são colocadas lado a lado e cobertas com traços e pontos desenhados com efum, no Ilésin, local de adoração, dizem que Yemanjá foi a única mulher de Orixalá um caso excepcional de monogamia entre orixás e eborás.
Òṣàlà Oṣàlúfọ́n (Òrìṣà Olú Fon): Orixá velho e sábio, cujo templo é Ifón pouco distante de Oxogbô, a cerimónia de saudações é de dezasseis em dezasseis dias. Orixá muito velho, de idade avançada, aleijado, lento, movendo-se com muita dificuldade. Dança apoiado no opaxoró. Treme de frio e velhice. Detesta a violência, disputas e brigas. Não come sal e nem dendê; odeia cores fortes, principalmente o vermelho. A ele pertencem os metais e substâncias brancas; não suporta cavalos.
Òṣàlà Oṣoguian(Òrìṣà Ogiyan): Orixá jovem e guerreiro, cujo templo principal se encontra em Ejigbô. Tomou o título de Eleejigbô Rei de Ejigbô uma de suas características e o gosto pelo inhame pilado chamado lyán, que lhe valeu o apelido de Orisa-Je-Iyán ou Orisájiyan. A tradição exige que os habitantes de dois bairros Xolô e Oké Mapô lutem uns contra os outros a golpes de varas. É o único que tem autorização de enfeitar seus colares brancos com pedras azuis, chamadas Seguy. Está ligado ao culto de Iroko e dos espíritos, assim como a fertilidade e o culto ao inhame. É o pai de Oxossi Inlé, come com Ogunjá, Oxossi Inlé, Airá, Exu, Oyá e Ònírá. Tem muito fundamento com Oyá pois, é o dono do Atori, fundamento que lhe foi dado por ela, motivo pelo qual as pessoas de Guian devem agradar muito a Oyá. Vem pelos caminhos de Ònírá; tem ligação forte com Èṣù. Seus filhos devem evitar brigas e mentiras e principalmente, não devem enganar a Ogum.
Òṣàlà Ogiyan Ewúlee Jiigbo: Senhor de Ejigbô (conhecido pelo nome de Oxaguiã).
Cozinha ritualística

Ebó

Ingredientes

1 tigela branca grande
8 velas brancas
1 kg de canjica branca
Preparo

Cozinhe o milho branco sem deixá-lo ficar mole demais

Coloque o Ebó na tigela, préviamente lavada com água e mel.

Coloque o mel por cima antes de esfriar.

Enfeite com folhas de boldo ou folha da costa.

Deixe esfriar a oferenda.

Se estiver pedindo clemência por alguma atribuição, cubra a tigela com algodão branco

Papa de Canjica

Ingredientes

1 tigela branca grande;
velas brancas;
1 kg de canjica branca;
mel;
água de mina;
leite de cabra.
Preparo

Moa o milho da canjica. Leve-o para cozinhar em bastante água e mel.

Deixe cozinhar até quase secar a água.

Junte o leite de cabra, mexendo com uma colher de pau por mais alguns minutos.

Desligue o fogo e deixe esfriar.

coloque essa papa na tigela, préviamente lavada com água e mel. Enfeite com folhas de boldo ou saião.

as flores para Oxalá são todas brancas, assim como as comidas ofertadas e todos os animais que a ele são sacrificados (todas fêmeas).

Lendas

Por que oxala usa ekodide I

Muito tempo depois que Odùdúwà chegou em Ilê Ifé e começaram a adorar o culto das Águas de Òṣàlà, aconteceu que, logo no primeiro ano, quando estava perto das festas Òṣàlà escolheu uma senhora das mais velhas do terreiro, chamada Omon Ọ̀ṣun, para tomar conta de todo, ou melhor, de tôda sua roupa, adornos e apetrechos, depositando com tôda benevolência nas mãos dela aquele direito especial para tomar conta de tudo que lhe pertencesse, da corôa ao sapato.

Omon Ọ̀ṣun por nunca ter tido nenhum filho, criava uma menina. Dessa data em diante ela e a menina ficaram sendo odiadas por algumas pessoas que faziam parte nesse terreiro e que por inveja de Omon Ọ̀ṣun começaram a tramar novidades, procurando um meio qualquer para fazer Òṣàlà se zangar com ela e tomar o "achê" entregue por Òṣàlà. Fizeram coisas que Deus duvida contra Omon Ọ̀ṣun porém nada surtia efeito. Cada vez mais Òṣàlà ia aumentando a amisade e dedicação para Omon Ọ̀ṣun. Ela era muito devotada ao cumprimento das suas obrigações e não dava margem alguma para ser por êle repreendida.

Como dizem que a água dá na pedra até que fura, aconteceu que, na vespera do dia da festa, as invejosas, já desiludidas por poderem fazer o que desejavam, de passagem pela casa de Omon Ọ̀ṣun se depararam com a corôa de Òṣàlà que ela tinha areiado e colocado no sol para secar. Quando elas viram a corôa de Òṣàlà muito bonita e mais reluzente do que nunca, combinaram roubar a corôa e ir jogar no fundo do mar. E assim fizeram. Quando Omon Ọ̀ṣun foi apanhar a corôa para guardar, não encontrou. Ficou doida. Procura daquí procura dalí, remexeram com tudo procurando em todos os cantos da casa e nada da corôa aparecer. As invejosas vendo a aflição que estava passando Omon Ọ̀ṣun e sua filhinha, satisfeitas pelo mal que tinham causado, riam as gaiofadas dizendo: agora sim quero ver como ela vai se atá com Òṣàlà amanhã quando êle procurar a corôa e não encontrar.

A essa altura Omon Ọ̀ṣun completamente azurantada só pensava em se matar e ja estava resolvida a fazer isso para não passar vergonha perante Òṣàlà. Foi quando a meninazinha, sua filha de criação disse: - Mamãe, porque a senhora não vai na feira amanhã de manhã bem cedinho e não compra o peixe mais bonito que tiver lá? A corôa de Òṣàlà deve estar na barriga desse peixe.

E assim a menina insistiu, insistiu tanto, até que Omon Ọ̀ṣun se decidiu a aceitar o que a menina aconselhou, dizendo:- Fique tanquila minha filha, porque de madrugadasinha eu vou acordar para ir à feira ver se encontro com esse peixe que voce imagina ter a corôa do nosso Rei Òṣàlà na barriga. A menina foi dormir tranquila. Omon Ọ̀ṣun coitada, não pôde dormir tôda a noite preocupada que já amanhecesse o dia para ela ir a feira ver se conseguia encontrar o dito peixe que a menina julgava ter a corôa na barriga. Quando o dia mal tinha clareado, Omon Ọ̀ṣun pulou da cama, se preparou e lá se foi. Quando ela chegou na feira foi diretamente no mercado de peixe e não encontrou nenhuma escama. Ainda éra muito cedo. Omon Ọ̀ṣun deu uma volta pela feira e já bastante impaciente voltou ao mercado onde encontrou um senhor vendendo um peixe, cujo peixe, era o único que se encontrava no mercado.

Omon Ọ̀ṣun comprou o peixe e foi voando para casa a fim de destrincha-lo. Queria ver se sua filha tinha aconselhado bem, para ela poder obter a paz e tranquilidade espiritual, encontrando a corôa de Òṣàlà. Assim que ela chegou em casa foi logo para a cosinha para abrir a barriga do peixe. Porém não conseguiu. Quando ela estava aí se acabando de chorar e labutando para abrir a barriga do peixe, a menina acordou e foi logo perguntando: - Mamãe já comprou o peixe? A senhora deixa que eu abra a barriga dele? - Omon Ọ̀ṣun bastante chorosa respondeu:- Minha filha a barriga dele está muito dura. Eu não posso abrir quanto mais você.

A menina se levantou, chegou na cosinha, apanhou um cacumbú e puxou rasgando a barriga do peixe, ésta se abriu em bandas deixando aparecer a corôa de Òṣàlà ainda mais bonita do que era antes. Omon Ọ̀ṣun se abraçou com a menina e de tanto contentamento não sabia o que fazer com ela. Carregava, beijava, dansava, e por fim Omon Ọ̀ṣun olhando para a menina e em seguida voltando as vistas para o céu, disse: - Ọlọ́run, Deus que lhe abençoe. Sua maesinha está sendo perseguida, porém com a fé que tem no seu Eledá, anjo da guarda, não ha de ser vencida. Limparam muito bem limpa, a corôa, e guardaram, muito bem guardada, juntamente com o resto das coisas pertencentes a Òṣàlà.

Em seguida Omon Ọ̀ṣun cozinhou o peixe, fez um grande almôço e convidou a todos da casa para almoçar com ela dizendo que estava festejando o dia da festa do Pai Òṣàlà. Ao meio dia Omon Ọ̀ṣun juntamente com seu, quero dizer, sua filhinha serviram o almôço acompanhado de Aluá ou Aruá, a bebida predileta de Òṣàlà a qual os Erê dão o nome de mijo do pai. Depois do almôço todos foram descansar para na hora determinada dar começo a festa das Águas de Òṣàlà. As invejosas quando viram todo aquele movimento, Omon Ọ̀ṣun muito alegre como se nada tivesse acontecido a ponto de dar até um banquete em homenagem a Festa de Òṣàlà, ficaram malucas.

Uma delas perguntou:- Será que ela encontrou a corôa? - Outra respondeu:- Eu bem disse que queimasse. - E a outra mais danada ainda dizia:- Eu disse a vicês que o melhor era cavar um buraco bem fundo e enterrar. - A primeira procurando acalmar os animos, disse para a outra:- Vamos esperar até a hora que éla apresentar as roupas de Òṣàlà com todos os armamentos. Se a corôa estiver no meio o geito que temos é fazer um grande ebó e colocar na cadeira onde éla vai se sentar ao lado de Òṣàlà. - O ebó, sacrificio, póde ser empregado para o bem ou para o mal.

Quando estava perto da hora de começar a festa, Omon Ọ̀ṣun apresentou a Òṣàlà tôda a roupa com todos os armamentos deixando as invejosas mais danadas e com mais desejo de vingança, a ponto de procurarem fazer o ebó por elas idealisado e colocar na cadeira onde Omon Ọ̀ṣun era obrigada a sentar-se por ordem de Òṣàlà. Começou a festa com a maior alegria possivel. Òṣàlà chegou acompanhado por Omon Ọ̀ṣun e se sentou no trono. Omon Ọ̀ṣun sem saber do que estava sendo feito contra ela, também se sentou na sua cadeira ao lado de Òṣàlà. Quando começaram as cerimônias e que Òṣàlà precisou de colocar a sua corôa, virou-se para Omon Ọ̀ṣun e pediu para éla ir apanhar a corôa. Omon Ọ̀ṣun quiz levantar e não pôde. Fez força para um lado, para o outro, e nada de poder levantar-se, até quando éla decidiu levantar-se de qualquer maneira. Devido a grande dor que sentiu, olhou para a cadeira e viu que estava tôda suja de sangue.

Alucinada de dor, e horrorisada por saber que Òṣàlà de fórma nenhuma podia ter nada de vermelho perto dêle porque era ewó, proibição, saiu esbaforida pela porta afora, indo se esbarrar na casa de Èṣù. Quando Èṣù abriu a porta que viu Omon Ọ̀ṣun tôda suja de vermelho, disse:- Você vindo dêsse geito da casa de meu pai? Infringiu o regulamento e eu não posso lhe abrigar,- e fechou a porta. Daí ela foi para a casa de Ògún, Ọ̀ṣọ́ọ̀si, de todos Orixás e sempre diziam a mesma coisa que disse Èṣù. Só restava a casa de Ọ̀ṣun. Quando Omon Ọ̀ṣun chegou a casa de Ọ̀ṣun, esta já tinha sabido do que estava acontecendo e estava a sua espera. Omon Ọ̀ṣun se jogando nos pés dela disse:- Minha mãe me valha, estou perdida.

Òṣàlà não vai me querer mais em sua casa. Ọ̀ṣun disse para ela que não se preocupasse, que um dia Òṣàlà ía buscar ela de volta. Depois Ọ̀ṣun, usando de sua magia, fez com que, do lugar onde sangrava em Omon Ọ̀ṣun saisse Ekodide, pena vermelha de papagaio da costa, até quando sare a ferida. Ọ̀ṣun, depois de colocar todo aquêle Ekodidé numa grande igbá, cuia, reuniu todo seu pessoal e tôdas as noites faziam um xirê, festa, cantando assim:

BI O TA LADÊ

BI O TA LADÊ IRÚ MALÉ

IYA OMIN TA LADÊ OTO RU ÉFAN KOBÁJA

OBIRIN IYA OMIN TA LADÊ

E assim Ọ̀ṣun ricamente vestida, sentada no seu trono, com Omon Oxum ao seu lado, a cuia de Ekodidés e a vasilha para colocarem dinheiro em frente a elas, recebia as visitas de todos os Orixás que iam até lá para ver e saber porque Ọ̀ṣun estava fazendo aquela festa tôdas as noites. Todos que lá chegavam e se enteiravam do acontecimento, si era homem dava dodóbálé, se estirava de peito no chão para Ọ̀ṣun, depois apanhava um Ekodidé e colocava uma certa quantia na vasilha que estava ao lado para ser colocado o dinheiro, e se era mulher dava iká, quer dizer, se deitava no chão de um lado e do outro para Ọ̀ṣun e em seguida apanhava um Ekodidé e colocava também o dinheiro na referida vasilha.

Tudo aquilo que estava acontecendo no palácio de Ọ̀ṣun, ficou sendo muito propalado e as invejosas faziam todo possivel para que Òṣàlà não soubesse. Um dia, elas, sem observarem que Òṣàlà estava por perto, começaram a comentar o caso, onde uma delas disse:- Com ela não tem quem possa, depois de tudo o que nós fizemos, depois de ter acontecido o que aconteceu aqui no palácio de Òṣàlà e de ter sido enjeitada por todos Orixás, vocês não estão vendo que Ọ̀ṣun abrigou ela? Curou, conseguindo que do lugar que sangrava saisse Ekodidé, fazendo uma grande fortuna e aumentando a sua riqueza.

Agora só nos resta é fazer com que o velho não saiba do que está acontecendo no palácio de Ọ̀ṣun, se não é bem capaz de querer ir até lá. Nisso o velho Òṣàlà pigarreou dando a entender que tinha ouvido tôda a conversação. Ordenou a elas que procurassem saber a hora que começava o xirê no palácio de Ọ̀ṣun e que elas iam servir de companhia para êle poder ir apreciar o xirê e tomar conhecimento do que estava acontecendo. Quando elas ouviram Òṣàlà falar desta maneira bem pertinho delas a terra lhe faltaram nos pés e o remorso montou nos seus cangótes fazendo com que elas fugissem para nunca mais voltar ao palácio de Òṣàlà. A noite, depois do jantar, Òṣàlà cansado de esperar pelas tres invejosas e não vendo nenhuma delas aparecer, disse:- Fugiram com medo de que eu castigasse pela grande injustiça que cometeram, não sabendo de que o castigo será dado pelas mesmas. Assim Òṣàlà se dirigiu para o palácio de Ọ̀ṣun afim de assistir o xirê e saber qual a causa do mesmo.

Quando Òṣàlà chegou no palácio de Ọ̀ṣun mandou anunciar a sua chegada. Ọ̀ṣun mais bonita do que nunca, coberta de ouro e muitas jóias dos pés a cabeça, sentada no seu rico trono, mandou que Òṣàlà entrasse, e continuou o xirê cantando:

BI O TA LADÊ, BI O TA LADÊ, IRÚ MALÊ, IYA OMIN TA LADÊ.

Quando Òṣàlà entrou ficou abismado de ver tanta riquesa e quando reparou bem para Ọ̀ṣun, que viu a seu lado Omon Ọ̀ṣun, a pessoa que cuidava dele e de tôdas suas coisas, a quem ele julgava ter perdido devido o que tinha acontecido, não se conteve, se jogou também no chão dando dodóbálé para Ọ̀ṣun, apanhando um Ekodidé e colocando bastante dinheiro na vasilha. Ọ̀ṣun quando viu o velho dar dodóbálé para ela, se levantou cantando:

DÓDÓ FIN DODÓBÁLÉ KÓ BINRIN IYA OMIN TA LADÊ

e foi ajudar a Òṣàlà se levantar do chão. Depois que Òṣàlà se levantou Ọ̀ṣun pegou Omon Ọ̀ṣun pela mão e entregou à Òṣàlà dizendo:- Aqui está a vossa zeladora, sã e salva de todo mal que desejaram e fizeram para ela para que ela ficasse odiada por vós.

Òṣàlà agradecendo a Ọ̀ṣun disse:- Ọ̀ṣun, em agradecimento a tudo o que fizestes de bem e para amenisar os sofrimentos de Omon Ọ̀ṣun eu, Òṣàlà, prometo levar ela de volta para o meu palácio e de hoje em diante nunca hei de me separar desta pena vermelha que é o Ekodidé e que será o unico sinal desta côr que carregarei sôbre o meu corpo.

Vocabulário - Yorùbá

ÁLÁBÀLAṢẸ  n., div.   | álábàlaxé  | Um Nome Atribuido A Óbátálá
ALÁMỌRE  n., div.   | alámóre  | [Alámọrere]  Título de Obatalá. Contração de Alámọrere
ALÁMỌRERE  n., div.   | alámórere  | [al - aquele que tem + amọ̀ = barro, argila + rere = bom, boa]  O Senhor da Boa Argila. Título de Obatalá
HÈPA BÀBÁ  Trad. Lit. Respeito ao Pai saud.   | rêkpa bàbá  | saudaçao ao orixá oxalá. êpa papai
ỌBÀTÁLÁ  n., div.   | óbàtálá  | Orixá Óbátálá. Deus da criação, da humanidade, que rege o Céu e, filho de Ọlórun (Deus Supremo).
ỌPAṢORO  s., instr. rit.   | ókpaxoro  | cajado de oxalá. O Ọpaṣoro é um objeto indispensável na indumentária do orixá oxalá e na construção do igba oxalufan. Simboliza a criação do mundo, do homem e a sapiência dos anciãos, servindo de apoio para locomoção deste grande orixá que é o mais velhos de todos e considerado o pai da criação.
ÓRÌṢÀ NLÁ  n., div.   | órìxà nlá  | Epíteto de Ọbàtálá.. O Grande Orixá
ÒRÌṢANLÀ  n., div.   | ôrìxanlà  | Òrìṣà Ọbàtálá
ÒṢÀLÀ  s.   | ôxàlà  | divino
ÒṢÀLÀ  adj.   | ôxàlà  | afortunado
ÒṢÀLÀ  s.   | ôxàlà  | afortunado
ÒṢÀLÀ  s.   | ôxàlà  | próspero
ÒṢÀLÀ  n., div.   | ôxàlà  | Orixá Oxala - Obatála

Referências

Deoscóredes M dos Santos-DIDI - Edição Cavaleiro da Lua - Fundação Cultural do Estado da Bahia - foi mantida a ortografia original