segunda-feira, 11 de março de 2013

Òṣàlà




Òrìṣanlà, Órìṣà òkè nínú wọn gbogbo Órìṣà

Òrìxanlá, O mais alto orixá entre todos os orixás

Orixá masculino de origem iorubá(nagô) bastante cultuado no Brasil, onde costuma ser considerado a divindade mais importante do panteão africano. Na África é cultuado com o nome de Ọbàtálá. Quando, porém, os negros vieram para cá, como mão de obra escrava na agricultura, trouzeram consigo, alêm do nome do orixá, uma outra forma de a ele se referirem, Orixalá, que significa orixá dos orixás. Numa versão contraída, o nome que acabou se popularizando é Òṣàlà

Esta relação de importância advêm de a organização de divindades africanas ser uma maneira simbólica de se codificar as regras do comportamento. Nos preceitos, estão todas as matrizes básicas da organização familiar e tribal, das atítudes possíveis, dos diversos caminhos para uma mesma questão. Para um mesmo problema, orixás diferentes propõem respostas diferentes - e raramente há um acordo social no sentido de estabelecer uma das saídas como a correta e a outra não. A "jurisprudência" africana nesse sentido prefere conviver com os opostos, estabelecendo, no máximo, que, perante um impasse, "Ogum faz isso, Iansã faz aquilo", por exemplo.

Assim, Òṣàlà não tem mais poderes que os outros nem é hierarquicamente a eles superior, mas merece o respeito de todos por representar o patriarca, o chefe da família. Cada membro da família tem suas funções e o direito de se inter-relacionar de igual para igual com todos os outros membros, o que as lendas dos orixás confirmam através da independência que cada um mantém em relação aos outros. Òṣàlà, porêm, é o que traz consigo a memória de outros tempos, as soluções já encontradas no passado para casos semelhantes, merecendo, portanto, o respeito de todos numa sociedade que cultuava ativamente seus ancestrais. Ele representa o conhecimento empírico, neste caso colocado acima do conhecimento especializado que cada orixá pode representar: Ossaim, a liturgia; Ọ̀ṣọ́ọ̀si, a caça; Ogum, a metalúrgia; Ọ̀ṣun, a maternidade; Yemanjá, a educação; Omolu, a medicina - e assim por diante.

Se, por este lado, Òṣàlà merece mais destaque, o considerá-lo superior aos outros (o que não está implicito como poder, mas sim merecimento de respeito no título de Orixalá) veio da colonização européia. Os jesuitas tentavam introduzir os negros nos cultos católicos, passo considerado decisivo para os mentores e ideólogos que tentavam adaptá-los à sociedade ondem eram obrigados a viver, baseadas em códigos a eles completamente estranhos. A repressão pura e simples era muito eficiente nestes casos, mas não bastava. Eram constantes as revoltas, os negros tinham baixa produtividade, porque trabalhavam obrigados, não ganhavam nada de significativo com a dedicação a um trabalho que não queriam, para o qual não eram consultados nem tinham o mínimo direito de escolha. Uma maneira, então, para se conseguir maior colaboração por parte deles seria explicar a eles que possuíam uma missão determinada pelos deuses, que a escravidão era sancionada pelas forças superiores do sobrenatural. Como porém, o sobrenatural dos escravos era outro que o dos brancos, havia de se convencer os negros a compartilharem do mesmo sobrenatural - evidentemente, o do senhor, e não o do escravo.

Havia, é verdade, jesuítas sinceramente crentes em seu trabalho, que não tinham consciência do papel ideológico que desempenhavam na manutenção de um modo de produção nada cristão. Julgavam ser sua missão "esclarecer" os "povos primitivos" da "verdadeira fé" - a postura é arrogante, mas não para quem nela efetivamente crê.

De qualquer forma, era sua missão catequizar os escravos. Como, porêm, encontravam neles práticas religiosas muito arraigadas, que eram comparativamente falando mais decisivas ainda nas escolhas pessoais e na vida do dia-a-dia do que a influência do catolicismo no comportamento dos brancos, era difícil lutar. Em alguns casos, perceberam que o sincretismo era a melhor saida, e tentaram convencer os negros que seus orixás também tinham espaço na cultura branca, que as entidades eram praticamente as mesmas, apenas com outros nomes.

Alguns escravos neles acreditaram. Outros se aproveitaram da quase obrigatoriedade da prática dos cultos católicos, para, ao realiza-los, efetivarem verdadeiros cultos de candomblé, apenas mascarados pela religião oficial do colonizador. Fosse sincera ou fosse esperta essa adesão, o sincretismo acabou acontecendo, em maior ou menor escala e a necessidade de hierarquização que os católicos tinham, nada preparados para a visão democrática do panteão africano. foi infiltrando-se, criando, a parte daí, a expectativa de se considerar Òṣàlà uma figura superior às demais - já que era sincretizado com Jesus Cristo, em geral. Esclrecida esta questão, não negamos as funções únicas e importantíssimas de Òṣàlà perante a mitologia iorubá. É o principio gerador em potencial, o responsável pela existência de todos os seres do céu e da terra. É o que permite a concepção no sentido masculino do termo. Sua cor é o branco porque ele é a soma de todas as cores. Ao mesmo tempo, o branco é a cor do esperma, a participação masculina na geração de um ser.

Caracteristicas

Animais Pomba Branca, Caramujo, coruja branca
Bebida Água mineral, ou vinho branco doce ou vinho tinto doce.
Comidas Canjica, Acaçá, Mungunzá.
Ebó
Papa de Canjica
Cor Branco
Data Comemorativa 25 de Dezembro
Dia da Semana Sexta-Feira.
Elemento Ar
Essências Aloés, almíscar, lírio, benjoim, flores do campo, flores de laranjeira.
Fio Contas e Missangas brancas e leitosas. Firmas Brancas.
Flores Lírios brancos e todas as flores que sejam dessa cor, as rosas de preferência sem espinhos.
Incompatibilidades Vinho de palma, dendê, carvão, roupa escura, cor vermelha, cachaça, bichos escuros.
Instrumento Opaxorô
Metal Prata (Em algumas casas: platina, ouro branco).
Numero 10 (Oxalufã), 8 (Oxaguiã).
Pedras Diamante, cristal de rocha, perolas brancas.
Planeta Sol.
Pontos da Natureza Praias desertas, colinas descampadas, campos, montanhas, etc...
Saudação Epa Babá
Saúde Não tem área de saúde específica, pois abrange todo nosso corpo e nosso espírito.
Símbolo Estrela de 5 pontas. (Em algumas casas, a Cruz)
Sincretismo Jesus
Toque Ìgbín


Folhas


Araçazeiro  (gúrọ́fà)
Coco  (àgbọn)
Fruta Pão  (gberebúùtù)
Mamão  (síbó)
Pêra
Tâmara  (èso ọ̀pẹ dídùn kan)
Tamarineiro (ajàgbọn)
Uva Branca  (àjara funfun)
Cara moela  (akan)
Macaxeira  (gbàgùúdá)
Mandioca  (ọgẹgẹ)
Agapanto
Agapanto Branco
Agrião do Pará  (awere pẹ́pẹ́)
Alecrim  (ewẹ́rẹ́)
Alecrim da Serra
Alecrim de Caboclo
Alecrim de Tabuleiro
Alecrim do Campo
Alfavaca  (efínrin nla)
Angélica
Aperta Ruão  (ìyèyé)
Baunilha verdadeira
Bétis Branco  (ewé boyí funfun)
Bétis Cheiroso  (ewé boyí)
Bétis Cheiroso  (ewé boyí)
Bisnagueira (igi orórù)
Boldo  (ewé bàbá)
Calistemo
Camélia
Camomila
Campainha
Cana de Macaco  (tẹ̀tẹ̀ ẹ̀gún)
Carnaúba
Caruru  (ewé tẹ̀tẹ̀)
Catinga de Mulata  (makasá)
Chapéu de Couro  (ewé ṣẹ́ṣẹ́rẹ́)
Cinco Folhas
Cipó Cravo
Colônia  (tọ́tọ́)
Cravo da Índia
Dama da Noite  (àlùkerẹsẹ)
Dendezeiro  (ọ̀pẹ)
Douradinha  (ewé epo)
Erva de Bicho  (eró igbin)
Erva de Jaboti  (rínrín)
Erva Prata  (ewé dìgì)
Erva Vintém (ewé okọ́wọ̀)
Espinheira Santa
Eucalipto Cidra
Fava de Tonca
Fava Pichuri
Folha da Costa  (ọ̀dúndún)
Folha da Fortuna  (àbámodá)
Funcho
Girassol
Guaco  (ójẹ́ dúdú)
Guandu  (òtilí)
Guanxima (àtòrì)
Hortelã da horta
Jasmim do Cabo
Laranjeira  (òrombó)
Língua de Vaca  (ewé enu malú)
Lírio do Brejo  (balabá)
Malva  (iso-obo)
Malva Cheirosa  (ewé pupa yo)
Malva do Campo  (asíkutá)
Mamona  (lárà)
Mamona Branca  (ewé lárà funfun)
Manjericão da Folha Miúda  (efínrín kékeré)
Manjericão de Folha Larga  (efínrín ata)
Mastruço
Mil em Rama
Milho Branco  (àgbàdo funfun)
Murta
Nenúfar Branco  (òṣibàtà)
Noz moscada  (ariwò)
Obí  (obí)
Obí  (àbidun)
Obí  (obí gbanja)
Obí  (obí edun)
Palmeira Abânico  (àgbọ̀n ẹyẹ)
Parietária  (ewé monan)
Sálvia  (ikiriwí)
Sangue de Cristo
Tabaco  (ewé tábà)
Trombeteira  (dàgìrì dobo)
Umbu
Espirradeira Branca
Algodoeiro  (igi òwú)
Algodoeiro Americano  (ela òwú)
Algodoeiro Arbóreo  (òwú ẹlẹ́pà)
Amendoeira  (igi furuntu)
Coqueiro (àgbọn)
Estoraque Brasileiro
Karitê  (Òrí)
Mamão  (ìbẹ́pẹ)
Rosa Branca
Umbanda

A figura de Òṣàlà, no Umbanda, assumiu importância primacial num paralelismo com a figura de Jesus Cristo, no seio do Catolicismo.

Na identificação de Òṣàlà com o "Filho", segunda pessoa da Santíssima Trindade, fato aceito pela religião de Umbanda, observa-se que, ao culto externo, à veneração e ao conhecimento das divinas qualificações de Jesus, se soma toda uma série de observâncias, preceitos, ritos remanescentes da tradição religiosa africana e, com toda a religiosidade, praticados pelos umbandistas de todos os matizes, com pequenas diferenciações, decorrentes de influências regionalistas ou da maior ou menor parcela do afro na cultuação.

A imagem de Òṣàlà (Jesus Cristo) é figura obrigatoriamente em lugar de honra em todos os Centros, Terreiros ou Tendas de Umbanda, em local elevado, geralmente destacado com iluminação intencionalmente preparada, de modo a conformar uma espécie de aura de luz difusa à sua volta. Homenageia-se Òṣàlà na representação daquele que foi o "filho dileto de Deus entre os homens"; entretanto, permanece, no íntimo desse sincretismo, a herança da tradição africana: "Jesus foi um enviado; foi carne, nasceu, viveu e morreu entre os homens"; Òṣàlà coexistiu com a formação do mundo; Òṣàlà já era antes que Jesus o fosse.

Jesus Cristo é um Trono da Fé de nível intermediário dentro da hierarquia de Òṣàlà. E o mesmo acontece com Buda e outras divindades manifestadoras da fé, pois muitos Tronos Intermediários já se humanizaram para falar aos homens como homens e, assim, melhor estimularem a fé em Deus.

Òṣàlà, assim como Jesus, proporciona aos filhos a melhor forma de praticar a caridade, isto é, dando com a direita para com a esquerda receberem na eternidade e assim poderem trilhar o caminho da luz que os conduzirá ao seu Divino Mestre. Òṣàlà é o Trono Natural da Fé e seu campo de atuação preferencial é a religiosidade dos seres, aos quais ele envia o tempo todo suas vibrações estimuladoras da fé individual e suas irradiações geradoras de sentimentos de religiosidade. Òṣàlà é sinônimo de fé que, assentado na Coroa Divina, irradia a fé em todos os sentidos e a todos os seres.

A Linha de Òṣàlà é a Linha Súplice, suprema condutora, porque nela se baseiam todas as outras linhas.

Òṣàlà, nome cabalístico formado através dos séculos, que teve do feixe de correntes formadoras da Grande Corrente Universal a força máxima, na qual os homens se suprem para se lançarem, através dos seus Guias, em busca da magna força.

"A Corrente Universal divide-se em vários setores, cabendo cada um destes setores a um Chefe, que trabalha nesta mesma corrente, tirando dela a força e a luz para conduzi-lo ao ponto que lhe é necessário para seus trabalhos espirituais; e sendo Òṣàlà o Supremo Chefe da Umbanda, a ele pertence um desses setores, buscando, na Corrente Universal, suprimento para as suas falanges".

As atribuições de Òṣàlà são as de não deixar um só ser sem o amparo religioso dos mistérios da Fé. Mas nem sempre o ser absorve suas irradiações quando está com a mente voltada para o materialismo desenfreado dos espíritos encarnados.

É uma pena que seja assim, porque os próprios seres se afastam da luminosa e cristalina irradiação do divino Òṣàlà...

O filho de Òṣàlà é pessoa normalmente tranqüila, de andar sereno, sem afobação, com tendência ao sofrimento, quando o busca. Gosta de transmitir seu gênio calmo, quer as coisas sem demonstrar, atingindo seus objetivos de forma bem natural. É teimoso. Na teimosia não gosta de impor suas idéias, mas não cede em seu ponto de vista. De todos os Orixás, o filho de Òṣàlà talvez seja o mais organizado, no dia a dia, escritórios e papéis.

Não é líder, mas não se submete facilmente a liderança de outro, ou seja, não manda e não gosta de ser mandado. Não é agressivo e quando agredido prefere demonstrar superioridade. Tem uma tendência muito forte para a solidão, buscando no isolamento um encontro com a harmonia universal.

Os guias principais desta linha são: Caboclo Urubatão de Guia, Caboclo Ubirajara, Caboclo Aymoré, Caboclo Guaracy, Caboclo Guarany e Caboclo Tupy. Estes guias são os chefes de falanges, mais existem os demais guias que pertencem a esta linha e trabalham na caridade, são eles: Caboclo Pena Branca, Caboclo Águia Branca, Caboclo Tupã, Caboclo Rompe Nuvem, Caboclo Tamoio, Caboclo Gira Sol e outros. O astro que rege esta linha é o Sol e tem como guardião o anjo Gabriel.

Sincretismos                                                                                                                                              


Características dos Filhos de Òṣàlà

Os filhos de Òṣàlà, são pessoas tranqüilas, com tendência à calma, até nos momentos mais difíceis; conseguem o respeito mesmo sem que se esforcem objetivamente para obtê-lo. São amáveis e pensativos, mas nunca de maneira subserviente. Às vezes chegam a ser autoritários, mas isso acontece com os que têm Orixás guerreiros ou autoritários como adjutores (ajuntós).

São muito dedicados, caprichosos, mantendo tudo sempre bonito, limpo, com beleza e carinho. Respeitam a todos mas exigem ser respeitados.

Sabem argumentar bem, tendo uma queda para trabalhos que impliquem em organização. Gostam de centralizar tudo em torno de si mesmos. São reservados, mas raramente orgulhosos.

Seu defeito mais comum é a teimosia, principalmente quando têm certeza de suas convicções; será difícil convencê-los de que estão errados ou que existem outros caminhos para a resolução de um problema.

No Òṣàlà mais velho (Oṣàlúfọ́n) a tendência se traduz em ranzinzice e intolerância, enquanto no Òṣàlà novo (OXAGUIÃ) tem um certo furor pelo debate e pela argumentação.

Para Òṣàlà, a idéia e o verbo são sempre mais importantes que a ação, não sendo raro encontrá-los em carreiras onde a linguagem (escrita ou falada) seja o ponto fundamental.

Fisicamente, os filhos de Òṣàlà tendem a apresentar um porte majestoso ou no mínimo digno, principalmente na maneira de andar e não na constituição física; não é alto e magro como o filho de Ogum nem tão compacto e forte como os filhos de Xangô. Às vezes, porém, essa maneira de caminhar e se postar dá lugar a alguém com tendência a ficar curvado, como se o peso de toda uma longa vida caísse sobre seus ombros, mesmo em se tratando de alguém muito jovem.

Para que o filho de Òṣàlà tenha uma vida melhor, deve procurar despertar em seu interior a alegria pelas coisas que o cerca e tentar ceder à sua natural teimosia.

Qualidades

Òṣàlà Ajagemo: Para o qual durante a sua festa anual em Edé, dança-se e representa-se com mímicas, um combate entre ele e Oluniwi, no qual este último sai vencedor.
Òṣàlà Ajalá - O Oleiro primordial. A parte de Òṣàlà responsável pela criação física dos homens, por seu corpo, sua cabeça (onde vive Ori). Ele representa o aspecto mais orgânico do ser humano; o tipo de barro, de maior ou menor qualidade, mais ou menos cozido (o que implica maior ou menor numero de problemas), mais claro ou escuro. Ajalá mistura ao barro folhas, frutas, minérios, sangues e uma série de materiais que determinam como será aquela pessoa, como Ori poderá agir nela. Estes ingredientes, com o tempo perdem o axé (energia) e precisam ser, de vez em quando, repostos, o que é feito nos rituais do candomblé, entre eles a iniciação. Diz um dos mitos que Ajalá foi incumbido de moldar as cabeças dos homens com a lama do fundo dos rios e outros elementos da natureza. Ele moldava as cabeças e as punha para assar em seu forno. Ajalá tinha, contudo, o hábito de embriagar-se enquanto cozia o barro e criou muitas cabeças defeituosas, queimando algumas e deixando outras com o barro cru. A causa dos problemas que muitas pessoas apresentam antes de serem iniciadas viria exatamente de um ori cru, ou queimado, ou mal proporcionado feito durante alguma bebedeira de Ajalá. Como os orixás não gostam de cabeças ruins, a pessoa ficaria desprotegida, sem a energia do orixá. Depois que Ajalá terminava de fazer os oris (cabeças) Ọbàtálá soprava nelas e lhes dava eni, a vida.
Òṣàlà Akire ou Ikire: É um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo e mudo a quem o negligencia.
Òṣàlà Alase ou Olúorogbo: Salvou o mundo fazendo chover num período de seca.
Òṣàlà Etéko: Caminha com Oxaguiã, é inquieto. Vive nas matas e come todo o tipo de carne branca.
Òṣàlà Eteto Obá Dugbe: Outro guerreiro, ligado a Orixalá.
Òṣàlà Lejugbe: é muito confundido com Oxalufan; por ser vagaroso e indeciso. Muito chegado a Ayrá. Come com Yemanjá e Oxalufan. Come também todo tipo de carne branca.
Òṣàlà Ọbàtálá: É o mais velho dos orixás. O grande rei branco; raiz de todos os outros Òṣàlàs. Ele não é feito, faz-se Ayrá ou Ọ̀ṣun Opara. É o pai de Oxalufan que por sua vez é o pai de Oxaguiã. Por ser muito grande e poderoso, Ọbàtálá não se manifesta, sua palavra transforma-se imediatamente em realidade. Representa a massa, o ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação dos novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos.
Òṣàlà Okó: Divindade da agricultura e colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra. Orixá Nagô, pouco conhecido no Brasil. Na época da chegada dos escravos, não deram muita importância a este orixá, considerando como orixá da agricultura, em seu lugar Ogum e dos grãos Obaluaiyê. Quando se manifesta leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade. É confundido com Òṣàlà, pois veste-se de branco. Seu Opaxoró, no Brasil, é confeccionado em madeira. Sendo um Orixá raro, tem poucas qualidades conhecidas. É um Orixá rico.
Òṣàlà Olofon Ajigúna Koari: Aquele que grita quando acorda (conhecido pelo nome de Oxalufan).
Òṣàlà Òriṣànlá, Orixalá ou Ọbàtálá:É casado com Yemanjá, suas imagens são colocadas lado a lado e cobertas com traços e pontos desenhados com efum, no Ilésin, local de adoração, dizem que Yemanjá foi a única mulher de Orixalá um caso excepcional de monogamia entre orixás e eborás.
Òṣàlà Oṣàlúfọ́n (Òrìṣà Olú Fon): Orixá velho e sábio, cujo templo é Ifón pouco distante de Oxogbô, a cerimónia de saudações é de dezasseis em dezasseis dias. Orixá muito velho, de idade avançada, aleijado, lento, movendo-se com muita dificuldade. Dança apoiado no opaxoró. Treme de frio e velhice. Detesta a violência, disputas e brigas. Não come sal e nem dendê; odeia cores fortes, principalmente o vermelho. A ele pertencem os metais e substâncias brancas; não suporta cavalos.
Òṣàlà Oṣoguian(Òrìṣà Ogiyan): Orixá jovem e guerreiro, cujo templo principal se encontra em Ejigbô. Tomou o título de Eleejigbô Rei de Ejigbô uma de suas características e o gosto pelo inhame pilado chamado lyán, que lhe valeu o apelido de Orisa-Je-Iyán ou Orisájiyan. A tradição exige que os habitantes de dois bairros Xolô e Oké Mapô lutem uns contra os outros a golpes de varas. É o único que tem autorização de enfeitar seus colares brancos com pedras azuis, chamadas Seguy. Está ligado ao culto de Iroko e dos espíritos, assim como a fertilidade e o culto ao inhame. É o pai de Oxossi Inlé, come com Ogunjá, Oxossi Inlé, Airá, Exu, Oyá e Ònírá. Tem muito fundamento com Oyá pois, é o dono do Atori, fundamento que lhe foi dado por ela, motivo pelo qual as pessoas de Guian devem agradar muito a Oyá. Vem pelos caminhos de Ònírá; tem ligação forte com Èṣù. Seus filhos devem evitar brigas e mentiras e principalmente, não devem enganar a Ogum.
Òṣàlà Ogiyan Ewúlee Jiigbo: Senhor de Ejigbô (conhecido pelo nome de Oxaguiã).
Cozinha ritualística

Ebó

Ingredientes

1 tigela branca grande
8 velas brancas
1 kg de canjica branca
Preparo

Cozinhe o milho branco sem deixá-lo ficar mole demais

Coloque o Ebó na tigela, préviamente lavada com água e mel.

Coloque o mel por cima antes de esfriar.

Enfeite com folhas de boldo ou folha da costa.

Deixe esfriar a oferenda.

Se estiver pedindo clemência por alguma atribuição, cubra a tigela com algodão branco

Papa de Canjica

Ingredientes

1 tigela branca grande;
velas brancas;
1 kg de canjica branca;
mel;
água de mina;
leite de cabra.
Preparo

Moa o milho da canjica. Leve-o para cozinhar em bastante água e mel.

Deixe cozinhar até quase secar a água.

Junte o leite de cabra, mexendo com uma colher de pau por mais alguns minutos.

Desligue o fogo e deixe esfriar.

coloque essa papa na tigela, préviamente lavada com água e mel. Enfeite com folhas de boldo ou saião.

as flores para Oxalá são todas brancas, assim como as comidas ofertadas e todos os animais que a ele são sacrificados (todas fêmeas).

Lendas

Por que oxala usa ekodide I

Muito tempo depois que Odùdúwà chegou em Ilê Ifé e começaram a adorar o culto das Águas de Òṣàlà, aconteceu que, logo no primeiro ano, quando estava perto das festas Òṣàlà escolheu uma senhora das mais velhas do terreiro, chamada Omon Ọ̀ṣun, para tomar conta de todo, ou melhor, de tôda sua roupa, adornos e apetrechos, depositando com tôda benevolência nas mãos dela aquele direito especial para tomar conta de tudo que lhe pertencesse, da corôa ao sapato.

Omon Ọ̀ṣun por nunca ter tido nenhum filho, criava uma menina. Dessa data em diante ela e a menina ficaram sendo odiadas por algumas pessoas que faziam parte nesse terreiro e que por inveja de Omon Ọ̀ṣun começaram a tramar novidades, procurando um meio qualquer para fazer Òṣàlà se zangar com ela e tomar o "achê" entregue por Òṣàlà. Fizeram coisas que Deus duvida contra Omon Ọ̀ṣun porém nada surtia efeito. Cada vez mais Òṣàlà ia aumentando a amisade e dedicação para Omon Ọ̀ṣun. Ela era muito devotada ao cumprimento das suas obrigações e não dava margem alguma para ser por êle repreendida.

Como dizem que a água dá na pedra até que fura, aconteceu que, na vespera do dia da festa, as invejosas, já desiludidas por poderem fazer o que desejavam, de passagem pela casa de Omon Ọ̀ṣun se depararam com a corôa de Òṣàlà que ela tinha areiado e colocado no sol para secar. Quando elas viram a corôa de Òṣàlà muito bonita e mais reluzente do que nunca, combinaram roubar a corôa e ir jogar no fundo do mar. E assim fizeram. Quando Omon Ọ̀ṣun foi apanhar a corôa para guardar, não encontrou. Ficou doida. Procura daquí procura dalí, remexeram com tudo procurando em todos os cantos da casa e nada da corôa aparecer. As invejosas vendo a aflição que estava passando Omon Ọ̀ṣun e sua filhinha, satisfeitas pelo mal que tinham causado, riam as gaiofadas dizendo: agora sim quero ver como ela vai se atá com Òṣàlà amanhã quando êle procurar a corôa e não encontrar.

A essa altura Omon Ọ̀ṣun completamente azurantada só pensava em se matar e ja estava resolvida a fazer isso para não passar vergonha perante Òṣàlà. Foi quando a meninazinha, sua filha de criação disse: - Mamãe, porque a senhora não vai na feira amanhã de manhã bem cedinho e não compra o peixe mais bonito que tiver lá? A corôa de Òṣàlà deve estar na barriga desse peixe.

E assim a menina insistiu, insistiu tanto, até que Omon Ọ̀ṣun se decidiu a aceitar o que a menina aconselhou, dizendo:- Fique tanquila minha filha, porque de madrugadasinha eu vou acordar para ir à feira ver se encontro com esse peixe que voce imagina ter a corôa do nosso Rei Òṣàlà na barriga. A menina foi dormir tranquila. Omon Ọ̀ṣun coitada, não pôde dormir tôda a noite preocupada que já amanhecesse o dia para ela ir a feira ver se conseguia encontrar o dito peixe que a menina julgava ter a corôa na barriga. Quando o dia mal tinha clareado, Omon Ọ̀ṣun pulou da cama, se preparou e lá se foi. Quando ela chegou na feira foi diretamente no mercado de peixe e não encontrou nenhuma escama. Ainda éra muito cedo. Omon Ọ̀ṣun deu uma volta pela feira e já bastante impaciente voltou ao mercado onde encontrou um senhor vendendo um peixe, cujo peixe, era o único que se encontrava no mercado.

Omon Ọ̀ṣun comprou o peixe e foi voando para casa a fim de destrincha-lo. Queria ver se sua filha tinha aconselhado bem, para ela poder obter a paz e tranquilidade espiritual, encontrando a corôa de Òṣàlà. Assim que ela chegou em casa foi logo para a cosinha para abrir a barriga do peixe. Porém não conseguiu. Quando ela estava aí se acabando de chorar e labutando para abrir a barriga do peixe, a menina acordou e foi logo perguntando: - Mamãe já comprou o peixe? A senhora deixa que eu abra a barriga dele? - Omon Ọ̀ṣun bastante chorosa respondeu:- Minha filha a barriga dele está muito dura. Eu não posso abrir quanto mais você.

A menina se levantou, chegou na cosinha, apanhou um cacumbú e puxou rasgando a barriga do peixe, ésta se abriu em bandas deixando aparecer a corôa de Òṣàlà ainda mais bonita do que era antes. Omon Ọ̀ṣun se abraçou com a menina e de tanto contentamento não sabia o que fazer com ela. Carregava, beijava, dansava, e por fim Omon Ọ̀ṣun olhando para a menina e em seguida voltando as vistas para o céu, disse: - Ọlọ́run, Deus que lhe abençoe. Sua maesinha está sendo perseguida, porém com a fé que tem no seu Eledá, anjo da guarda, não ha de ser vencida. Limparam muito bem limpa, a corôa, e guardaram, muito bem guardada, juntamente com o resto das coisas pertencentes a Òṣàlà.

Em seguida Omon Ọ̀ṣun cozinhou o peixe, fez um grande almôço e convidou a todos da casa para almoçar com ela dizendo que estava festejando o dia da festa do Pai Òṣàlà. Ao meio dia Omon Ọ̀ṣun juntamente com seu, quero dizer, sua filhinha serviram o almôço acompanhado de Aluá ou Aruá, a bebida predileta de Òṣàlà a qual os Erê dão o nome de mijo do pai. Depois do almôço todos foram descansar para na hora determinada dar começo a festa das Águas de Òṣàlà. As invejosas quando viram todo aquele movimento, Omon Ọ̀ṣun muito alegre como se nada tivesse acontecido a ponto de dar até um banquete em homenagem a Festa de Òṣàlà, ficaram malucas.

Uma delas perguntou:- Será que ela encontrou a corôa? - Outra respondeu:- Eu bem disse que queimasse. - E a outra mais danada ainda dizia:- Eu disse a vicês que o melhor era cavar um buraco bem fundo e enterrar. - A primeira procurando acalmar os animos, disse para a outra:- Vamos esperar até a hora que éla apresentar as roupas de Òṣàlà com todos os armamentos. Se a corôa estiver no meio o geito que temos é fazer um grande ebó e colocar na cadeira onde éla vai se sentar ao lado de Òṣàlà. - O ebó, sacrificio, póde ser empregado para o bem ou para o mal.

Quando estava perto da hora de começar a festa, Omon Ọ̀ṣun apresentou a Òṣàlà tôda a roupa com todos os armamentos deixando as invejosas mais danadas e com mais desejo de vingança, a ponto de procurarem fazer o ebó por elas idealisado e colocar na cadeira onde Omon Ọ̀ṣun era obrigada a sentar-se por ordem de Òṣàlà. Começou a festa com a maior alegria possivel. Òṣàlà chegou acompanhado por Omon Ọ̀ṣun e se sentou no trono. Omon Ọ̀ṣun sem saber do que estava sendo feito contra ela, também se sentou na sua cadeira ao lado de Òṣàlà. Quando começaram as cerimônias e que Òṣàlà precisou de colocar a sua corôa, virou-se para Omon Ọ̀ṣun e pediu para éla ir apanhar a corôa. Omon Ọ̀ṣun quiz levantar e não pôde. Fez força para um lado, para o outro, e nada de poder levantar-se, até quando éla decidiu levantar-se de qualquer maneira. Devido a grande dor que sentiu, olhou para a cadeira e viu que estava tôda suja de sangue.

Alucinada de dor, e horrorisada por saber que Òṣàlà de fórma nenhuma podia ter nada de vermelho perto dêle porque era ewó, proibição, saiu esbaforida pela porta afora, indo se esbarrar na casa de Èṣù. Quando Èṣù abriu a porta que viu Omon Ọ̀ṣun tôda suja de vermelho, disse:- Você vindo dêsse geito da casa de meu pai? Infringiu o regulamento e eu não posso lhe abrigar,- e fechou a porta. Daí ela foi para a casa de Ògún, Ọ̀ṣọ́ọ̀si, de todos Orixás e sempre diziam a mesma coisa que disse Èṣù. Só restava a casa de Ọ̀ṣun. Quando Omon Ọ̀ṣun chegou a casa de Ọ̀ṣun, esta já tinha sabido do que estava acontecendo e estava a sua espera. Omon Ọ̀ṣun se jogando nos pés dela disse:- Minha mãe me valha, estou perdida.

Òṣàlà não vai me querer mais em sua casa. Ọ̀ṣun disse para ela que não se preocupasse, que um dia Òṣàlà ía buscar ela de volta. Depois Ọ̀ṣun, usando de sua magia, fez com que, do lugar onde sangrava em Omon Ọ̀ṣun saisse Ekodide, pena vermelha de papagaio da costa, até quando sare a ferida. Ọ̀ṣun, depois de colocar todo aquêle Ekodidé numa grande igbá, cuia, reuniu todo seu pessoal e tôdas as noites faziam um xirê, festa, cantando assim:

BI O TA LADÊ

BI O TA LADÊ IRÚ MALÉ

IYA OMIN TA LADÊ OTO RU ÉFAN KOBÁJA

OBIRIN IYA OMIN TA LADÊ

E assim Ọ̀ṣun ricamente vestida, sentada no seu trono, com Omon Oxum ao seu lado, a cuia de Ekodidés e a vasilha para colocarem dinheiro em frente a elas, recebia as visitas de todos os Orixás que iam até lá para ver e saber porque Ọ̀ṣun estava fazendo aquela festa tôdas as noites. Todos que lá chegavam e se enteiravam do acontecimento, si era homem dava dodóbálé, se estirava de peito no chão para Ọ̀ṣun, depois apanhava um Ekodidé e colocava uma certa quantia na vasilha que estava ao lado para ser colocado o dinheiro, e se era mulher dava iká, quer dizer, se deitava no chão de um lado e do outro para Ọ̀ṣun e em seguida apanhava um Ekodidé e colocava também o dinheiro na referida vasilha.

Tudo aquilo que estava acontecendo no palácio de Ọ̀ṣun, ficou sendo muito propalado e as invejosas faziam todo possivel para que Òṣàlà não soubesse. Um dia, elas, sem observarem que Òṣàlà estava por perto, começaram a comentar o caso, onde uma delas disse:- Com ela não tem quem possa, depois de tudo o que nós fizemos, depois de ter acontecido o que aconteceu aqui no palácio de Òṣàlà e de ter sido enjeitada por todos Orixás, vocês não estão vendo que Ọ̀ṣun abrigou ela? Curou, conseguindo que do lugar que sangrava saisse Ekodidé, fazendo uma grande fortuna e aumentando a sua riqueza.

Agora só nos resta é fazer com que o velho não saiba do que está acontecendo no palácio de Ọ̀ṣun, se não é bem capaz de querer ir até lá. Nisso o velho Òṣàlà pigarreou dando a entender que tinha ouvido tôda a conversação. Ordenou a elas que procurassem saber a hora que começava o xirê no palácio de Ọ̀ṣun e que elas iam servir de companhia para êle poder ir apreciar o xirê e tomar conhecimento do que estava acontecendo. Quando elas ouviram Òṣàlà falar desta maneira bem pertinho delas a terra lhe faltaram nos pés e o remorso montou nos seus cangótes fazendo com que elas fugissem para nunca mais voltar ao palácio de Òṣàlà. A noite, depois do jantar, Òṣàlà cansado de esperar pelas tres invejosas e não vendo nenhuma delas aparecer, disse:- Fugiram com medo de que eu castigasse pela grande injustiça que cometeram, não sabendo de que o castigo será dado pelas mesmas. Assim Òṣàlà se dirigiu para o palácio de Ọ̀ṣun afim de assistir o xirê e saber qual a causa do mesmo.

Quando Òṣàlà chegou no palácio de Ọ̀ṣun mandou anunciar a sua chegada. Ọ̀ṣun mais bonita do que nunca, coberta de ouro e muitas jóias dos pés a cabeça, sentada no seu rico trono, mandou que Òṣàlà entrasse, e continuou o xirê cantando:

BI O TA LADÊ, BI O TA LADÊ, IRÚ MALÊ, IYA OMIN TA LADÊ.

Quando Òṣàlà entrou ficou abismado de ver tanta riquesa e quando reparou bem para Ọ̀ṣun, que viu a seu lado Omon Ọ̀ṣun, a pessoa que cuidava dele e de tôdas suas coisas, a quem ele julgava ter perdido devido o que tinha acontecido, não se conteve, se jogou também no chão dando dodóbálé para Ọ̀ṣun, apanhando um Ekodidé e colocando bastante dinheiro na vasilha. Ọ̀ṣun quando viu o velho dar dodóbálé para ela, se levantou cantando:

DÓDÓ FIN DODÓBÁLÉ KÓ BINRIN IYA OMIN TA LADÊ

e foi ajudar a Òṣàlà se levantar do chão. Depois que Òṣàlà se levantou Ọ̀ṣun pegou Omon Ọ̀ṣun pela mão e entregou à Òṣàlà dizendo:- Aqui está a vossa zeladora, sã e salva de todo mal que desejaram e fizeram para ela para que ela ficasse odiada por vós.

Òṣàlà agradecendo a Ọ̀ṣun disse:- Ọ̀ṣun, em agradecimento a tudo o que fizestes de bem e para amenisar os sofrimentos de Omon Ọ̀ṣun eu, Òṣàlà, prometo levar ela de volta para o meu palácio e de hoje em diante nunca hei de me separar desta pena vermelha que é o Ekodidé e que será o unico sinal desta côr que carregarei sôbre o meu corpo.

Vocabulário - Yorùbá

ÁLÁBÀLAṢẸ  n., div.   | álábàlaxé  | Um Nome Atribuido A Óbátálá
ALÁMỌRE  n., div.   | alámóre  | [Alámọrere]  Título de Obatalá. Contração de Alámọrere
ALÁMỌRERE  n., div.   | alámórere  | [al - aquele que tem + amọ̀ = barro, argila + rere = bom, boa]  O Senhor da Boa Argila. Título de Obatalá
HÈPA BÀBÁ  Trad. Lit. Respeito ao Pai saud.   | rêkpa bàbá  | saudaçao ao orixá oxalá. êpa papai
ỌBÀTÁLÁ  n., div.   | óbàtálá  | Orixá Óbátálá. Deus da criação, da humanidade, que rege o Céu e, filho de Ọlórun (Deus Supremo).
ỌPAṢORO  s., instr. rit.   | ókpaxoro  | cajado de oxalá. O Ọpaṣoro é um objeto indispensável na indumentária do orixá oxalá e na construção do igba oxalufan. Simboliza a criação do mundo, do homem e a sapiência dos anciãos, servindo de apoio para locomoção deste grande orixá que é o mais velhos de todos e considerado o pai da criação.
ÓRÌṢÀ NLÁ  n., div.   | órìxà nlá  | Epíteto de Ọbàtálá.. O Grande Orixá
ÒRÌṢANLÀ  n., div.   | ôrìxanlà  | Òrìṣà Ọbàtálá
ÒṢÀLÀ  s.   | ôxàlà  | divino
ÒṢÀLÀ  adj.   | ôxàlà  | afortunado
ÒṢÀLÀ  s.   | ôxàlà  | afortunado
ÒṢÀLÀ  s.   | ôxàlà  | próspero
ÒṢÀLÀ  n., div.   | ôxàlà  | Orixá Oxala - Obatála

Referências

Deoscóredes M dos Santos-DIDI - Edição Cavaleiro da Lua - Fundação Cultural do Estado da Bahia - foi mantida a ortografia original



sexta-feira, 8 de março de 2013

Oṣàlúfọ́n






O grande Òrìṣà, ocupa uma posição única e inconteste do mais importante orixá e o mais elevado dos deuses yorubás.

É o dono da argila e da criação, onde molda os seres humanos em barro.

Senhor do silêncio, do vácuo frio e calmo, onde as palavras não podem ser ouvidas. Por apreciar muito o vinho de palma, embriagando-se freqüentemente, perdeu a chance de criar a terra e tornou-se responsável pela moldagem das pessoas e ficou proibido de beber o vinho.

Teimoso, às vezes passa por cima dessas regras. Pessoas com defeitos de nascença, provocados por ele, lhe pertencem.

Ele as protege para se redimir. Muda de nome conforme a situação.

Lento como um caramujo, todo de branco como seu ritual exige, é conhecido como Oṣàlúfọ́n.

Enérgico e guerreiro, de colar branco com azul real, é Oṣoguian. Em todas versões é orixalá, obatala o rei do pano branco.



Arquétipos

Os filhos deste orixá são pessoas calmas e dignas de confiança. São dotados de grande sabedoria, pois estão sempre buscando os significados de tudo o que ocorre ao seu redor, não cansam de estudar e buscar o conhecimento.

Os filhos de Oṣàlúfọ́n (velho) possuem tendência a serem preguiçosos.

O trabalho braçal não os atraí, preferem buscar lugares onde possam colocar as suas idéias e projetos em atividade. Extremamente responsáveis, são ótimos projetistas e organizadores. Seus principais defeitos são: preguiça, teimosia e lentidão. Por serem calmos, nunca se deve abusar da paciência, pois quando acaba...

Os filhos de Oṣoguian já são mais ativos, guerreiros, alegres e trabalhadores. São incanssãveis em seus ofícios e projetos, possuem também tendências ao estresse por se darem demais as suas funcões.

Responsáveis como ninguém. Assim como Oṣàlúfọ́n(velho) também são teimosos orgulhosos e inteligentes.

São os famosos senhores do tudo ou nada. Ou dá certo ou não. Seja nos negócios no amor e nas amizades.


Lendas

Oṣàlúfọ́n era um rei muito idoso. Um dia, sentindo saudades do filho Ṣàngó, resolveu visitá-lo. Como era costume na terra dos orixás, consultou um babalaô para saber como seria a viagem. Este recomendou que não viajasse.

Mas, se o orixá teimasse em ver o filho, foi instruído a levar três roupas brancas e limo da costa ( pasta extraída do caroço de dendê ) e fazer tudo o que lhe pedissem assim como, jamais revelar sua identidade em qualquer situação.

Com essas precauções, o orixá partiu e, no meio do caminho encontrou Èṣù elepô, dono do azeite-de-dendê, sentado a beira da estrada, com um pote ao lado. Com boas maneiras, ele pediu a Oṣàlúfọ́n que o ajudasse a colocar o pote nos ombros. O velho orixá, lembrando as palavras do babalaô, resolveu auxiliá-lo; mas Èṣù elepô, que adora brincar. Derramou todo o dendê sobre Oṣàlúfọ́n.

O orixá manteve a calma, limpou-se no rio com um pouco do limo, vestiu outra roupa e seguiu viagem. Mais adiante encontrou Èṣù onidu, dono do carvão e Èṣù aladi, dono do óleo do caroço de dendê. Por duas vezes mais, foi vitima dos brincalhões e procedeu como da primeira vez, limpando-se e vestindo roupas limpas, continuando sua caminhada rumo ao reino de Ṣàngó.

Ao se aproximar das terras do filho, avistou um cavalo que conhecia muito bem, pois presenteara Ṣàngó com o animal tempos atrás. Resolveu amarrá-lo para levá-lo de volta, mas foi mal interpretado pelos soldados, que julgaram-no um ladrão. Sem permitir explicações, e Oṣàlúfọ́n lembrando do conselho do babalaô de manter segredo de sua identidade, nada reclamou...

Eles espancaram o velho ate quebrar seus ossos e o arrastaram para a prisão. Usando seus poderes, Òṣàlà fez com que não chovesse mais desse dia em diante; as colheitas foram prejudicadas e as mulheres ficaram estéreis.

Preocupado com isso, Ṣàngó consultou seu babalaô e este afirmou que os problemas se relacionavam a uma injustiça cometida sete anos antes, pois um dos presos fora acusado de roubo injustamente. O orixá dirigiu-se a prisão e reconheceu o orixá. Envergonhado, ordenou que trouxessem água para limpá-lo e, a partir desse dia, exigiu que todos no reino se vestissem de branco em sinal de respeito ao orixá, como forma de reparar a ofensa cometida. É por isso que em todos os terreiros do brasil comemora-se as águas de Òṣàlà, cerimônia na qual todos os participantes vestem-se de branco e limpam seus apetrechos com profunda humildade para atrair a boa sorte para o ano todo.

Oṣàlúfọ́n tinha um filho chamado Oṣoguian, muito valente e guerreiro que almejava ter um reino a todo custo. Era um período de guerras entre dois reinos vizinhos e seus habitantes perguntavam sempre aos babalaôs o que fazer para que a paz voltasse a reinar. Um dos sacerdotes respondeu que eles deveriam oferecer ao orixá da paz, que se vestia de branco, como uma pomba, muito inhame pilado, comida de sua preferência.

Oṣoguian, cujo nome significa "comedor de inhame pilado", apreciava tanto essa comida que ele próprio inventou o pilão para fazê-la. Depois que as oferendas foram entregues, tudo voltou as boas. Oṣoguian tornou-se conhecido por todos e conseguiu seu próprio reino. Ate hoje são oferecidas grandes festas a esse orixá para que haja fartura o ano todo. Òṣàlà é o detentor do poder genitor masculino. Todas suas representações incluem o branco. E um elemento fundamental dos primórdios, massa de ar e massa de água, a protoforma e a formação de todo tipo de criaturas no AIYE e no Òrun. Ao incorporar-se, assume duas formas: Oṣoguian jovem guerreiro, e Oṣàlúfọ́n, velho apoiado num bastão de prata (APAXORÓ). Òṣàlà é alheio a toda violência, disputas, brigas, gosta de ordem, da limpeza, da pureza. Sua cor é o branco e o seu dia é a sexta-feira. Seus filhos devem vestir branco neste dia. Pertencem a Òṣàlà os metais e outras substâncias brancas. Na África, todos os Orixás relacionados a criação são designados pelo nome genérico de Orixá Fun Fun. O mais importante entre todos eles chama-se Orixalá(Òrìsanlà), ou seja, o grande Orixá, que nas terras de Igbó e Ifé é cultuado cmo Ọbàtálá, rei do pano branco. Eram cerca de 154 Orixás Fun Fun, mas no Brasil a quantidade se reduz significativamete, sendo que dois, Orixá Olùfón, rei de Ifón (Oṣàlúfọ́n), Orixá Ógìyán, o comedor de inhame e rei de Egigbó(Oṣoguian), tornaram-se suas expressões mais conhecidas.A designação de Orixá Fun Fun se deve ao fato de a cor branca configurar-se como a cor da criação, guardando a essência de todas as demais. O brando representa todas as possibilidades, a base de qualquer criação. O nome Orisanlá foi contraído e deu orígem a palavra Òṣàlà, e com esse nome o grande Deus-pai passoua ser conhecido no Brasil. Todos os Orixás Fun Fun foram reunidos em Òṣàlà e divididos em várias qualidades de suas duas configurações principais: Òsálufón, Osagiyan, sendo este último, jovem e grerreiro, filho do primeiro mais velho e paciencioso.Todas as histórias que relatam a criação do mundo passam necessariamente por Òṣàlà, que foi o primeiro Orixá concebido por Olódùmarè e encarregado de criar não só o universo, como todos os seres, todas as coisas que existiriam no mundo.A maior interdição de Òṣàlà é de fato o azeite-de-dendê, que jamais deve macular suas roupas, seus objetos sagrados, e muito menos o seu Alá. A única coisa vermelha que Òṣàlà permite, é a pena de Ikodidè, prova de sua submissão ao poder genitor feminino. Epó kété ó, Alà telè ó Epó kété ó, Alà telè ó.Evite o dendê, evite pisar no Alá Evite o dendê, evite pisar no Alá. O Alá representa a própria criação, está intimamente relacionado a concepção de cada ser; é a síntese do poder criador masculino. Sua função primeira já remete ao seu significado profundo. A ação de cobrir não evoca somente proteção, zelo, denota a atividade masculina no ato sexual. No Xirê Òṣàlà é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as origens. Ele representa a totalidade, o único Orixá que, como Èṣù, reside em todos os seres humanos. Todos são seus filhos, todos são irmãos, já que a humanidade vive sob o meso teto, o grande Alá que nos cobre e protege o céu.



Caracteristicas

Animais Pomba Branca, Caramujo, coruja branca
Bebida Água mineral, ou vinho branco doce ou vinho tinto doce.
Comidas Canjica, Acaçá, Mungunzá.
Cor Branco
Data Comemorativa 25 de Dezembro
Dia da Semana Sexta-Feira.
Elemento Ar
Essências Aloés, almíscar, lírio, benjoim, flores do campo, flores de laranjeira.
Fio Contas e Missangas brancas e leitosas. Firmas Brancas.
Flores Lírios brancos e todas as flores que sejam dessa cor, as rosas de preferência sem espinhos.
Incompatibilidades Vinho de palma, dendê, carvão, roupa escura, cor vermelha, cachaça, bichos escuros, Lâminas
Instrumento Opaxorô
Metal Prata (Em algumas casas: platina, ouro branco).
Numero 10
Odu ÒFÚN Méji Ejiòkô
Pedras Diamante, cristal de rocha, perolas brancas.
Planeta Sol
Pontos da Natureza Praias desertas, colinas descampadas, campos, montanhas, etc...
Saudação Epa Babá
Saúde Não tem área de saúde específica, pois abrange todo nosso corpo e nosso espírito.
Símbolo Estrela de 5 pontas. (Em algumas casas, a Cruz)
Sincretismo Senhor do Bonfim
Toque Ìgbín


Folhas

Araçazeiro  (gúrọ́fà)
Coco  (àgbọn)
Fruta Pão  (gberebúùtù)
Mamão  (síbó)
Pêra
Tâmara  (èso ọ̀pẹ dídùn kan)
Tamarineiro (ajàgbọn)
Uva Branca  (àjara funfun)
Cara moela  (akan)
Macaxeira  (gbàgùúdá)
Mandioca  (ọgẹgẹ)
Agapanto
Agapanto Branco
Agrião do Pará  (awere pẹ́pẹ́)
Alecrim  (ewẹ́rẹ́)
Alecrim da Serra
Alecrim de Caboclo
Alecrim de Tabuleiro
Alecrim do Campo
Alfavaca  (efínrin nla)
Angélica
Aperta Ruão  (ìyèyé)
Baunilha verdadeira
Bétis Branco  (ewé boyí funfun)
Bétis Cheiroso  (ewé boyí)
Bétis Cheiroso  (ewé boyí)
Bisnagueira (igi orórù)
Boldo  (ewé bàbá)
Calistemo
Camélia
Camomila
Campainha
Cana de Macaco  (tẹ̀tẹ̀ ẹ̀gún)
Carnaúba
Caruru  (ewé tẹ̀tẹ̀)
Catinga de Mulata  (makasá)
Chapéu de Couro  (ewé ṣẹ́ṣẹ́rẹ́)
Cinco Folhas
Cipó Cravo
Colônia  (tọ́tọ́)
Cravo da Índia
Dama da Noite  (àlùkerẹsẹ)
Dendezeiro  (ọ̀pẹ)
Douradinha  (ewé epo)
Erva de Bicho  (eró igbin)
Erva de Jaboti  (rínrín)
Erva Prata  (ewé dìgì)
Erva Vintém (ewé okọ́wọ̀)
Espinheira Santa
Eucalipto Cidra
Fava de Tonca
Fava Pichuri
Folha da Costa  (ọ̀dúndún)
Folha da Fortuna  (àbámodá)
Funcho
Girassol
Guaco  (ójẹ́ dúdú)
Guandu  (òtilí)
Guanxima (àtòrì)
Hortelã da horta
Jasmim do Cabo
Laranjeira  (òrombó)
Língua de Vaca  (ewé enu malú)
Lírio do Brejo  (balabá)
Malva  (iso-obo)
Malva Cheirosa  (ewé pupa yo)
Malva do Campo  (asíkutá)
Mamona  (lárà)
Mamona Branca  (ewé lárà funfun)
Manjericão da Folha Miúda  (efínrín kékeré)
Manjericão de Folha Larga  (efínrín ata)
Mastruço
Mil em Rama
Milho Branco  (àgbàdo funfun)
Murta
Nenúfar Branco  (òṣibàtà)
Noz moscada  (ariwò)
Obí  (obí)
Obí  (àbidun)
Obí  (obí gbanja)
Obí  (obí edun)
Palmeira Abânico  (àgbọ̀n ẹyẹ)
Parietária  (ewé monan)
Sálvia  (ikiriwí)
Sangue de Cristo
Tabaco  (ewé tábà)
Trombeteira  (dàgìrì dobo)
Umbu
Espirradeira Branca
Algodoeiro  (igi òwú)
Algodoeiro Americano  (ela òwú)
Algodoeiro Arbóreo  (òwú ẹlẹ́pà)
Amendoeira  (igi furuntu)
Coqueiro (àgbọn)
Estoraque Brasileiro
Karitê  (Òrí)
Mamão  (ìbẹ́pẹ)
Rosa Branca

quarta-feira, 6 de março de 2013

Oṣoguian







África

Oṣoguian na mitologia yorubá é um jovem guerreiro, um Òṣàlà jovem, seria filho de Oṣàlúfọ́n, identificado no jogo do merindilogun pelo odu ejionile e representado materialmente e imaterial pelo candomblé, através do assentamento sagrado denominado igba Oṣoguian. Seu templo principal é em Ejigbo, estado de ?sun, onde ostenta o título de Eléèjìgbó, ou Rei de Ejigbo.

Em Lendas Africanas dos Orixás, Pierre Fatumbi Verger conta uma das lendas que Oṣoguian teria nascido em Ifé, bem antes de seu pai tornar-se o rei de Ifan. Oṣoguian, valente guerreiro, desejou, por sua vez, conquistar um reino. Partiu, acompanhado de seu amigo Awoledjê. Oṣoguian não tinha ainda este nome. Chegou num lugar chamado Ejigbô e aí tornou-se Elejigbô (Rei de Ejigbô). Oṣoguian tinha uma grande paixão por inhame pilado, comida que os Yorubas chamam iyan. Elejigbô comia deste iyan a todo momento; comia de manhã, ao meio-dia e depois da sesta; comia no jantar e até mesmo durante a noite, se sentisse vazio seu estômago! Ele recusava qualquer outra comida, era sempre iyan que devia ser-lhe servido.

Chegou ao ponto de inventar o pilão para que fosse preparado seu prato predileto! Impressionados pela sua mania, os outros orixás deram-lhe um cognome: Oṣoguian, que significa "Orixá-comedor-de-inhame-pilado", e assim passou a ser chamado.

Awoledjê, seu companheiro, era babalawo, um grande adivinho, que o aconselhava no que devia ou não fazer. Certa ocasião, Awoledjê aconselhou a Oṣoguian oferecer: dois ratos de tamanho médio; dois peixes, que nadassem majestosamente; duas galinhas, cujo fígado fosse bem grande; duas cabras, cujo leite fosse abundante; duas cestas de caramujos e muitos panos brancos. Disse-lhe, ainda, que se ele seguisse seus conselhos, Ejigbô, que era então um pequeno vilarejo dentro da floresta, tornar-se-ia, muito em breve, uma cidade grande e poderosa e povoada de muitos habitantes.

Depois disso Awoledjê partiu em viagem a outros lugares. Ejigbô tornou-se uma grande cidade, como previra Awoledjê. Ela era arrodeada de muralhas com fossos profundos, as portas fortificadas e guardas armados vigiavam suas entradas e saídas.

Havia um grande mercado, em frente ao palácio, que atraía, de muito longe, compradores e vendedores de mercadorias e escravos. Elejigbô vivia com pompa entre suas mulheres e servidores. Músicos cantavam seus louvores. Quando falava-se dele, não se usava seu nome jamais, pois seria falta de respeito. Era a expressão Kabiyesi, isto é, Sua Majestade, que deveria ser empregada.

Ao cabo de alguns anos, Awoledjê voltou. Ele desconhecia, ainda, o novo esplendor de seu amigo. Chegando diante dos guardas, na entrada do palácio, Awoledjê pediu, familiarmente, notícias do "Comedor-de-inhame-pilado". Chocados pela insolência do forasteiro, os guardas gritaram: "Que ultraje falar desta maneira de Kabiyesi! Que impertinência! Que falta de respeito!" E caíram sobre ele dando-lhe pauladas e cruelmente jogaram-no na cadeia.

Awoledjê, mortificado pelos maus tratos, decidiu vingar-se, utilizando sua magia. Durante sete anos a chuva não caiu sobre Ejigbô, as mulheres não tiveram mais filhos e os cavalos do rei não tinham pasto. Elejigbô, desesperado, consultou um babalaô para remediar esta triste situação. "Kabiyesi, toda esta infelicidade é consequência da injusta prisão de um dos meus confrades! É preciso soltá-lo, Kabiyesi! É preciso obter o seu perdão!"

Awoledjê foi solto e, cheio de ressentimento, foi-se esconder no fundo da mata. Elejigbô, apesar de rei tão importante, teve que ir suplicar-lhe que esquecesse os maus tratos sofridos e o perdoasse.

"Muito bem! - respondeu-lhe. Eu permito que a chuva caia de novo, Oṣoguian, mas tem uma condição: Cada ano, por ocasião de sua festa, será necessário que você envie muita gente à floresta, cortar trezentos feixes de varetas. Os habitantes de Ejigbô, divididos em dois campos, deverão golpear-se, uns aos outros, até que estas varetas estejam gastas ou quebrem-se".

Desde então, todos os anos, no fim da seca, os habitantes de dois bairros de Ejigbô, aqueles de Ixalê Oxolô e aqueles de Okê Mapô, batem-se todo um dia, em sinal de contrição e na esperança de verem, novamente, a chuva cair.

A lembrança deste costume conservou-se através dos tempos e permanece viva, também, na Bahia.

Por ocasião das cerimônias em louvor a Oṣoguian, as pessoas batem-se umas nas outras, com leves golpes de vareta... e recebem, em seguida, uma porção de inhame pilado, enquanto Oṣoguian vem dançar com energia, trazendo uma mão de pilão, símbolo das preferências gastronômicas do Orixá "Comedor-de-inhame-pilado."



Brasil

Oṣoguian é um Òṣàlà jovem. Sempre de branco. Usa espada, escudo, polvarim e mão de pilão. Guerreiro, seu dia da semana é sexta-feira. Come cabra, e é o dono do inhame.

Seu lugar no Panteão dos Orixás

Oṣoguian ou Oṣoguian: Divindade Yorubá, cultuado no Candomblé afro-brasileiro.

Segundo a mitologia Yorubá, o universo foi criado por Ọlọ́run. Os filhos de Ọlọ́run são os Orixás, que receberam cada qual atribuições e responsabilidades sobre a criação de seu Pai. O primeiro e mais velhos dos Orixás é Òṣàlà, a quem se credita a criação do Homem.

Oṣoguian é apontado como o aspecto jovem de Òṣàlà, outras vezes é apontado como filho de Oṣàlúfọ́n, o qual é tido como o aspecto velho de Òṣàlà. Oṣoguian, "o moço", na sua forma "guerreira" de Òṣàlà, carrega uma espada, cheio de vigor e nobreza.

Oṣoguian - escultura de Carybé em madeira, em exposição no Museu Afro-Brasileiro, Salvador, Bahia, Brasil

Na mitologia Yorubá, os Orixás associam-se a cidades ou regiões africanas, que seriam regidas ou favorecidas por seu respectivo Orixá. Seu templo principal é em Ejigbo, onde ostenta o título de Eléèjìgbó, ou Rei de Ejigbo.

Orixá do dinamismo e movimento construtivo, da cultura material. Seu domínio são as lutas diárias por sustento e trabalho e a paz. Oṣoguian incentiva o trabalho e a superação. Oṣoguian é o provedor, é o guerreiro da paz. Nunca entra numa batalha para perder, sempre ganhando suas lutas e superando quaisquer obstáculos.

É sempre retratado como um guerreiro forte, astuto e conquistador, Oṣoguian rege as inovações, a busca pelo aprimoramento, o inconformismo. É um Orixá relacionado com o sustento do dia a dia, gostando de mesa farta. Seu sustento vem do fundo da terra ou da floresta. Ele detém todas as armas e as usa para alcançar seus objetivos, que são: dar para quem tem fome e até tomar de quem tem muito e não tem fome.

Sua comida favorita é o inhame. Sendo orixá das inovações e invenções, criou para si o pilão, de tal forma que pudesse saborear seu prato favorito. Daí inclusive deriva seu nome: Oṣoguian significa literalmente "Orixá comedor de Inhame Pilado".

Diz-se que enquanto Ògún fornece meios (ferramentas e armas) Oṣoguian fornece inteligência e vontade para vencer. Representa o início de um movimento. Este orixá tem personalidade violenta e severa.

É com Oṣoguian que se encerra o ciclo das festas de Òṣàlà com a festa do Pilão de Oṣoguian (ojó odo)- o dia do pilão.



Caracteristicas

Animais Pomba Branca, Caramujo, coruja branca
Bebida Água mineral, ou vinho branco doce ou vinho tinto doce.
Comidas Canjica, Acaçá, Mungunzá.
Cor Branca
Data Comemorativa 25 de Dezembro
Dia da Semana Sexta-Feira.
Elemento Ar
Essências Aloés, almíscar, lírio, benjoim, flores do campo, flores de laranjeira.
Fio Brancas intercaladas de azul claro
Flores Lírios brancos e todas as flores que sejam dessa cor, as rosas de preferência sem espinhos.
Incompatibilidades Vinho de palma, dendê, carvão, roupa escura, cor vermelha, cachaça, bichos escuros.
Metal Prata (Em algumas casas: platina, ouro branco).
Numero 8
Odu Ejionilê
Pedras Diamante, cristal de rocha, perolas brancas.
Planeta Sol
Pontos da Natureza Praias desertas, colinas descampadas, campos, montanhas, etc...
Saudação Exê ê Babá
Saúde Não tem área de saúde específica, pois abrange todo nosso corpo e nosso espírito.
Símbolo Estrela de 5 pontas. (Em algumas casas, a Cruz)
Símbolo espadas (sabre), Ofá (arco e flecha), Atori (Vara), Polvarim, Escudo e mão de pilão (seu maior símbolo)
Sincretismo Menino Jesus de Praga
Folhas

Eucalipto Cidra
Manjericão Roxo  (efínrín pupa)
Estoraque Brasileiro
Arquétipo

A liderança é uma de suas especialidades. Duas características dividem os filhos de Oṣoguian: Uns são amigos das intrigas, são orgulhosos, se acham os melhores , são faladores. Outros são voltados para a família, calmos e guardam segredos para si, mas todos são teimosos ou como eles próprios dizem determinados.

Na verdade são duas faces de Oṣoguian, numa delas estão os filhos que carregam a espada e os outros, os mais calmos carregam a mão de pilão.

Os filhos de Oṣoguian são valentes, guerreiros, combativos, geniosos, intuitivos , são instáveis, têm caráter romântico e são sensuais. Os filhos de Oṣoguian não desprezam o sexo e cultivam o amor livre.

Além destas características, são alegres, gostam profundamente da vida, são faladores e brincalhões. Ao mesmo tempo são idealistas, defensores dos injustiçados, dos fracos e dos oprimidos.

Frequentemente são Orgulhosos, sedentos de feitos gloriosos.

Oṣoguian é um jovem guerreiro combativo, seus filhos são habitualmente altos, esguios, eventualmente robustos, mas não são agressivos ou brutais.

Os filhos de Oṣoguian são ciumentos e detestam concorrência. São criativos, generosos, inteligentes, sábios e justos. Em seu aspecto negativo porém, são também lentos, mandões, teimosos e podem ser violentos.

Itan do Nascimento - Nasceu dentro de uma concha de caramujo. Não tinha mãe. E quando nasceu, não tinha cabeça, por isso perambulava pelo mundo, sem sentido e sem rumo. Um dia encontrou Ori numa estrada e este lhe deu uma cabeça feita de inhame pilado. Apesar de feliz com sua nova cabeça branca, ela esquentava muito, e quando esquentava Oṣoguian criava mais conflitos. E sofria muito. Um dia encontrou a morte (iku), que lhe ofereceu uma cabeça fria. Apesar do medo que sentia, o calor era insuportável, e ele acabou aceitando a cabeça preta que a morte lhe deu.

Mas essa cabeça era dolorida e fria demais. Oṣoguian ficou triste, porque a morte com sua frieza estava o tempo todo com o orixá.

Então Ògún apareceu e deu sua espada para Oṣoguian, que espantou Iku. Ògún também tentou arrancar a cabeça preta de cima da cabeça branca, mas tanto apertou que as duas se fundiram e Oṣoguian ficou com a cabeça azul, agora equilibrada e sem problemas. A partir deste dia ele e Ògún andam juntos transformando o mundo. Oṣoguian depositando o conflito de idéias e valores que mudam o mundo e Ògún fornecendo os meios para a transformação, seja a tecnologia ou a guerra.



Cozinha ritualística

Arroz doce

Ingredientes

1 tigela branca grande;
velas brancas;
1 litro de leite de cabra.
Preparo

Cozinhe o arroz com 2 litros de água. Deixe cozinhando, até que toda água evapore. Junte, na própria panela, o leite e o mel a gosto. Coloque esse arroz na tigela, préviamente lavada com água e mel. Decore com um ramo de boldo.

Barquinhos de Inhame com canjica

Ingredientes

1 prato de barro (branco) médio;
1 pilão pequeno virgem;
1 quartinha de louça branca;
velas brancas;
500 g de canjica;
2 inhames grandes;
mel.
Preparo

Cozinhe o inhame, sem casca, até amolecer. Coloque-os no pilão, socando até obter uma massa firme. Separadamente, cozinhe a canjuica com com uma pitada de sal e uma colher de mel, não deixando secar a água. Escorra a canjica, guardando a água na quartinha.

Modele, com a massa do inhame, oito barquinhas, deixando um buraco no meio. Dentro da barquinha, coloque grãos da canjica cozida. Arrume os barcos no prato (préviamente lavado com água e mel).

Bolinhas de Inhame

Ingredientes

1 prato de barro (branco) médio;
1 pilão pequeno virgem;
velas brancas;
4 inhames grandes;
Preparo

Cozinhe o inhame, sem casca, até amolecer. Coloque no pilão para amassar. Junte o mel a gosto, misturando bem. Faça vários bolinhos, num mínimo de oito, arrumando tudo no prato. A oferenda segue o mesmo procedimento das anteriores.


Itan

Batalha dos Atoris

Na cidade Africana de Eleegibò até hoje por ocasião de sua festa os habitantes são divididos entre dois bairros e trocam golpes de atori (varas), relembrando o mito que diz sobre um Babalaô seu amigo que foi preso pelos guardas de Eleegibò ,por que se referiu o Rei como, Oṣoguian (Orixá Comedor de Inhame) tendo sido encontrado no calabouço Oxagüian pediu-lhe perdão só aceito se os moradores da cidade trocasse golpes de varas durante suas festas (sob pena de não haver boa colheita caso isto não acontecesse).

O Castelo de Ògún

Oṣoguian, jovem filho guerreiro de Òṣàlà, acompanhava Ògún pela terra em suas guerras. Aproveitava de toda ocasião em que a guerra criava destruição para reconstruir no lugar algo maior e mais próspero. Assim espalhou pelo mundo prosperidade, sem descanso, obrigando todos a trabalhar e progredir. Onde via preguiça, inspirava movimento e crescimento. Um dia, entre uma batalha e outra, Oṣoguian foi à cidade de Ògún para buscar provisões e encontrou um castelo que acabava de ser construído pelo povo do lugar em oferecimento a Ògún. Oṣoguian perguntou ao povo: "Que vão fazer agora que terminaram de construir o castelo do seu rei?" "Descansar", eles responderam. Oṣoguian retrucou: "O seu rei ainda demora a voltar; vocês devem aproveitar deste tempo de maneira melhor. Construam um castelo ainda melhor e encham de alegria o seu rei." Sacou da espado e com um toque empurrou a parede do castelo, que ruiu todo." Oṣoguian voltou para a guerra, e o povo pôs-se a construir um castelo ainda melhor.

O tempo passou e Oṣoguian voltou à cidade de Ògún em busca de mais provisões. Encontrou lá um castelo ainda maior e melhor do que o que tinha derrubado. Semelhante diálogo se travou. Oṣoguian perguntou ao povo: "Que vão fazer agora que terminaram o castelo do seu rei?" "Vamos descansar", eles responderam. Oṣoguian interrogou: "Mais uma vez, o seu rei demora a voltar; vocês que aproveitem ainda deste tempo de maneira melhor. Construam um castelo melhor para o seu rei." Como tinha feito antes, sacou da espado e com um toque derrubou o castelo." E partiu para guerra, voltando sempre em busca de novas provisões. Tantas vezes isto aconteceu que o povo do lugar se transformou em um povo de grandes construtores, desenvolvendo engenharia e arquitetura soberba, reconhecida mundialmente. Oṣoguian promove o progresso. Não gosta de ver ninguém parado.

Lendas

Ògún faz instrumentos agrícolas para Oṣoguian

Oṣoguian, rei de Ejigbô, o Elejigbô, chamado Orixá Comedor de inhame pilado, inventou o pilão para saborear mais facilmente seus prediletos inhames. Todo o povo do seu reino adotou a sua preferência. Todo o povo de Ejigbô comia inhame pilado. E tanto seu comia inhame em Ejigbô que já não se dava conta de plantá-lo. E assim, grande fome se abateu sobre o, povo de Òṣàlà.

Oṣoguian foi consultar Èṣù, que o mandou fazer sacrifícios e procurar o ferreiro Ògún, que naquele tempo viva nas terras de Ijexá. O que podia fazer Ògún para que o povo de Ejigbô tivesse mais inhame?, consultou Oṣoguian. Ògún pediu sacrifícios e logo deu a solução. Em sua forja, Ògún fez ferramentas de ferro.

Fez a enxada e o enxadão, a foice e a pá, fez o ancinho, o rastelo, o arado. "Leve isso para o seu povo, Elejigbô, e o trabalho na plantação vai ser mais fácil. Vão colher muitos inhames, mais do que agora quando plantam com as mãos", disse Ògún. E assim foi feito e nunca se plantou tanto inhame e nunca se colheu tanto inhame. E a fome acabou.

O povo de Ejigbô, agradecido cultuou Ògún e ofereceu a ele banquetes de inhames e cachorros, caracóis, feijão-preto regado com azeite-de-dendê e cebolas. Ògún disse a Oṣoguian: "Na casa de seu Pai todos se vestem de branco, por isso também assim me visto para receber as oferendas". E o povo o louvava e Ògún ficou feliz. E o povo cantava: "A kaja lónì fun Ògúnja mojuba". "Hoje fazemos sacrifício de cachorros a Ògún, Ògúnjá, Ògún que come cachorro, nós te saudamos". Oṣoguian disse a Ògún: "Meu povo nunca há de se esquecer de sua dádiva. Dê-me um laço de seu abadá azul, Ògún, para eu usar com meu axó funfun, minha roupa branca. Vamos sempre nos lembrar de Ogunjá". E, do reino de Ejigbô até as terras de Ijexá, todos cantaram e dançaram.

Referências

Referência Bibliográfica: VERGER, Pierre; Orixás, Deuses Yorubas na Africa e no Novo Mundo; 5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997. VERGER, Pierre; Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999. PRANDI, Reginaldo; Mitologia dos Orixás; Companhia das Letras, São Paulo, 2001.